Caminho da F√© de Tamba√ļ a Aparecida

Autor: Maria Bedim Trento
20/ago/2009

 

√Č uma rota de peregrina√ß√£o, em meio a uma fascinante natureza, seguindo as setas amarelas, indicativas do caminho, atravessando povoados, planta√ß√Ķes, vilas, rios bosques, montanhas e cidades, numa aventura inesquec√≠vel. As pessoas que encontramos no caminho, incentivam-nos a prosseguir em frases como: ‚ÄúBom caminho, reze por mim quando chegar a Aparecida‚ÄĚ.

Este caminho nos aproxima de Deus, dando-nos paz interior em uma viagem que favorece o corpo e a alma. Saindo de Tamba√ļ, percorremos 429 quil√īmetros a p√©, passando por 19 cidades at√© chegarmos a Aparecida onde recebemos a Mariana, certificado que comprova a peregrina√ß√£o.

Sonho de Menina

Numa tarde de setembro de 1959 est√°vamos ao redor do fog√£o √† lenha, sapecando pinh√£o quando papai nos surpreendeu com um grande volume nas m√£os: Era o nosso primeiro r√°dio. Toda a aten√ß√£o da fam√≠lia a partir desse momento foi para ouvir a programa√ß√£o do r√°dio: Rep√≥rter Esso, Voz do Brasil, propagandas e os programas sertanejos de audit√≥rio que papai mais gostava. Na manh√£ seguinte, acordamos mais cedo para ouvir o que dizia o nosso r√°dio. Papai o ligou e gostou do que ouvia, chamando-nos para ouvir tamb√©m. Era o padre Donizetti aconselhando as crian√ßas. Falava de um Deus amigo, que cuidava das crian√ßas e de uma m√£e carinhosa que se chamava M√£e Aparecida. Mam√£e acendeu uma vela e colocou um copo de √°gua perto do r√°dio para ser aben√ßoada. Depois do programa, tomamos a √°gua e felizes fomos nos arrumar para ir √† escola. Por muito tempo foi esse nosso ritual de todas as manh√£s. Sonh√°vamos em um dia ir a Tamba√ļ e conhecer o padre Donizetti.

Realização do Sonho

Visitando o site dos ‚ÄúAmigos do Caminho‚ÄĚ de Florian√≥polis, alegro-me ao constatar que na programa√ß√£o estava inclu√≠do o Caminho da F√©, para junho de 2009. Eis a√≠ a possibilidade da realiza√ß√£o do meu sonho de menina. Cancelei e adiei compromissos dedicando-me ao preparo f√≠sico e espiritual para a grande e t√£o sonhada jornada. Em Campinas encontrei-me com o grupo de treze pessoas com as quais viajamos juntos at√© Tamba√ļ, a cidade dos meus sonhos. Foi um dia cheio de emo√ß√Ķes e muitas l√°grimas roladas de alegria por conhecer o local onde meu conselheiro viveu, onde pude ouvir v√°rios relatos de seus milagres. Nesta noite participamos da Missa, repleta de devotos pela Trezena de Santo Antonio, e no final, n√≥s peregrinos, fomos chamados √† frente para recebermos uma B√™n√ß√£o especial, oportunidade em que foi cantado os ‚Äú Parab√©ns‚ÄĚ pelo meu anivers√°rio. Foi a emo√ß√£o maior do dia, pois nesta Igreja aconteceu o Primeiro Milagre do Pe. Donizetti. Relata-se que a igreja queimou todinha, ficando intacta a imagem de Nossa Senho ra Aparecida com seu Manto de Seda.

Coração acelerado, pensamento em constante oração e muita disposição para andar iniciamos nossa caminhada depois da Oração da Manhã de mãos dadas, o que me dizia que eu estava entre amigos embora não conhecesse a maioria deles.

Durante os dezessete dias de caminhada passamos pelas mais belas paisagens, o que fazia com que os aclives e declives acentuados parecessem degraus de p√≥diuns, onde poucos t√™m o privil√©gio de subirem ou descerem para encantarem-se com tamanha beleza. As pessoas que encontramos nos tratavam como se f√īssemos seres especiais, corajosos e capazes de realizar coisas imposs√≠veis pela F√© que acreditavam que possu√≠ssemos. J√° no primeiro dia, pr√≥ximo da cidade de Casa Branca eu rezava o ter√ßo e cheguei √† igreja antes de conclu√≠-lo, faltando o quinto mist√©rio. Quando entrei o Sant√≠ssimo estava exposto e as pessoas rezavam o Cerco de Jeric√≥. Logo que me ajoelhei o dirigente anunciou o Quinto Mist√©rio do Ter√ßo o que mexeu profundamente com minhas emo√ß√Ķes: eu n√£o esperava encontrar o pr√≥prio Jesus esperando-me e um grande n√ļmero de pessoas para rezar comigo o final do Ter√ßo que iniciara no Caminho.

Em √Āguas da Prata dois Peregrinos juntaram-se ao nosso grupo: Aureliano, 83 anos, e seu filho, vindos de S√£o Paulo. Sua idade chamou a aten√ß√£o dos organizadores do Caminho por ser o Peregrino de mais idoso a percorr√™-lo. No segundo dia, depois de alguns Kms andados, encontrei-o sentado num banco da pra√ßa de uma igreja na beira do Caminho. Perguntei se estava tudo bem com ele, e pedi a B√™n√ß√£o √† pequena imagem da M√£ezinha tocando seu manto. Seu Aureliano perguntou-me se eu acreditava que um pensamento muitas vezes n√£o √© s√≥ pensamento, mas √© realidade. Afirmei que sim. Ent√£o me ou√ßa: ‚ÄúEm casa, quando rezava em frente a imagem parecia que Ela me dizia que queria vir comigo, foi por isso que eu a trouxe. E hoje em minhas ora√ß√Ķes ela avisou-me que vai com voc√™. Ent√£o pensei em comprar outra imagem, ao chegar em Aparecida e entregar esta √† voc√™‚ÄĚ. N√£o sei explicar o que senti naquele momento, durante aquele dia e toda a caminhada, e ainda hoje. S√≥ sei que para sempre esta imagem f√≠sica e espiritual vai acompanhar-me
como a mais fiel companheira abençoando minha família, amigos e todas as crianças deste Brasil que sofrem injustiças.

Hoje, feliz em casa junto dos meus familiares, minhas ora√ß√Ķes s√£o de agradecimento a Deus e Sua M√£e que √© Nossa M√£e por vontade de Seu Filho Jesus, a minha fam√≠lia e aos Amigos Peregrinos que me fizeram companhia, dividindo rem√©dios, pomadas, lanches e frutas. Foram dezoito dias vividos em fam√≠lia onde fomos ‚Äúum por todos e todos por um‚ÄĚ.