Caminhada em Anitápolis/SC

Foto: Hilton-Gevieski

Aproveitem o caminho

Por: Jairo Ferreira Machado

17 de outubro de 2015

Ao caminharmos contemplando a natureza, as matas, os pássaros, os riachos, nossos ouvidos se descansam dos ruídos dos motores, das falas agudas, dos riscos das cidades, do estresse, das maldades alheias, e nosso olfato se alerta para o cheiro do mato, cheiro de flores silvestres, e já queremos encontrar uma fruta madurada colhida na hora, do pé (ainda que seja roubada do alheio), talvez alguém ofereça e nos traga também água da fonte, com gosto de pureza, insípida, inodora, colhida da cacimba, aproveitamos para falar com os moradores à beira do caminho, alguém tem sempre algo a perguntar e a gente, a saber, aquelas pessoas simples, os meninos de pé no chão, o cachorro late, como quem precisa se manifestar também, a vaca berra, o galo canta, há uma simplicidade reinante, tudo muito diferente da cidade, gente que passa calada, gente que não olha nos olhos, nem dá bom dia, ou olá!, a roça, o campo e a natureza resgatam a nossa alma, torna-a aprazível, e sentimos o toque do vento, o acaricio da brisa no rosto, as botas pisando na terra, no chão, vai colhendo passo a passo a energia telúrica, recompondo nossa energia vital, talvez estejamos cansados, mas é um cansaço santificado, o verde, as mil matizes das flores, o ruído das abelhas fazendo o mel, o aroma, há uma grandeza imensurável, um escorregão aqui outro acolá, a gente se levanta e vai em frente, a paisagem não se repete, tampouco às águas, às árvores, um pássaro voa, um clique, um nome, você sabia?, os pássaros têm nome, nome popular, como o nosso, têm parentesco, têm história e nome científico, tem DNA, faz parte do nosso mundo, cantam para os nossos ouvidos (já pensou um mundo sem gorjeios e sem as falas e risos das crianças?), deve ser mesmo um mundo muito feio…

Da próxima vez… vão mais devagar. Aproveitem o caminho.


Fotos: Hilton Antonio Gevieski