Caminho de Santa Paulina

Um pouco de história

O nome de batismo de Madre Paulina era Amábile Lúcia Visintainer. Nasceu em1865, em Vigolo Vattaro, região de Trento, Itália. Na época, o país passava por uma grave crise econômica e era assolado por pestes contagiosas. Por isso, seus pais decidiram emigrar para o Brasil, onde chegaram em 1875, estabelecendo-se no vilarejo de Vigolo, em Nova Trento, Santa Catarina, onde tudo era muito precário e pobre.

O padre Servanzi, responsável pela região, logo percebeu o espírito comprometido e sábio da adolescente Amábile e incumbiu-a de lecionar o catecismo às crianças, além de ajudar aos doentes e de manter limpa a capelinha do vilarejo, que era dedicada a São Jorge. Amábile assumiu a missão de corpo e alma, acompanhada de uma amiga: Virgínia.

Amábile teve três sonhos com a Virgem Maria, que lhe pedia para dedicar-se aos pobres e à salvação de suas almas. Aceitando realizar a missão, seu pai ajudou-a a construir uma casinha de madeira, próximo da capela da vila, para usá-lo como um pequeno hospital, onde Amábile e Virgínia dedicaram-se arduamente ao cuidado dos doentes e à instrução das crianças. Aquela primeira iniciativa foi a semente da futura Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, que se tornou a primeira congregação feminina fundada no Brasil, sendo aprovada pelo bispo de Curitiba, em agosto de 1895.

Quatro meses após a aprovação eclesiástica, Amábile, Virgínia e outra jovem chamada Teresa Maule fizeram os votos religiosos na Congregação. Na ocasião, Amábile adotou o nome de irmã Paulina do Coração Agonizante de Jesus. Nomeada superiora da pequena congregação, passou a ser chamada de Madre Paulina.

Apesar da pobreza e das imensas dificuldades em que as irmãzinhas viviam, a santidade, a caridade e a prática apostólica de Madre Paulina e suas coirmãs fizeram por atrair muitas outras jovens. Para terem como sobreviver e manter as obras de caridade, iniciaram uma pequena indústria da seda.

Pela aura de santidade de vida das irmãzinhas e do trabalho extremamente necessário que realizavam, o reconhecimento da Congregação tornou-se notório no Brasil. Por isso, em 1903, Madre Paulina foi chamada para estender sua obra a São Paulo, onde ela e algumas de suas irmãzinhas iniciaram a obra da “Sagrada Família”, com o objetivo de abrigar ex-escravos e suas famílias, dando a elas um pouco de dignidade, já que viviam em péssimas condições.

Algum tempo depois, a obra cresceu em número de irmãs e em ações sociais. Apesar disso, Madre Paulina passou a ser perseguida e caluniada por uma rica senhora. Em consequência, em 1909, o bispo Dom Duarte destituiu Madre Paulina do cargo de superiora da congregação e a exilou em Bragança Paulista, São Paulo. Acatando a ordem do bispo, num exemplo de obediência, Madre Paulina sujeitou-se aos trabalhos mais humildes e pesados, sem murmurar nem reclamar, mas entregando tudo a Deus.

Nove anos depois, Madre Paulina foi chamada pelo mesmo bispo de volta à casa geral da Congregação em São Paulo. Depois dessa prova de fogo, suas virtudes de humildade e obediência foram reconhecidas.

Em 1938, Madre Paulina teve seu braço direito amputado por causa do diabetes, que também a cegou. Foram quatro anos de sofrimentos físicos e de testemunho de fé, mas também de alegrias, pois foi cada vez mais amada e admirada por suas irmãzinhas. Em 9 de julho de1942, ela faleceu.

Tendo em vista a comprovação de milagres, no ano de 1991, o papa João Paulo II, em visita ao Brasil, celebrou sua beatificação e a canonizou em 2002, tornando Madre Paulina a primeira santa no Brasil.

O Caminho de Santa Paulina

Após a beatificação de Madre Paulina, fiéis de todo o país começaram a visitar o bairro de Vígolo, em Nova Trento. Dada a total falta de infraestrutura e a precariedade no atendimento aos peregrinos, em 2002, as Irmãzinhas da Congregação decidiram construir um Santuário, iniciado em 2003 e concluído e consagrado em janeiro de 2006.

São várias as rotas de peregrinação, a partir de diferentes pontos do estado de Santa Catarina, umas mais longas, outras mais próximas a Nova Trento. O Caminho de Santa Paulina, promovido pela ACACSC, também pode iniciar de diferentes cidades catarinenses, durando de três a quatro dias de caminhada.

O santuário tem linhas modernas e vigorosas. Seu entorno é um parque ecológico, onde o visitante pode passear, rezar, contemplar a natureza em meio a flores, plantas, cachoeiras, animais, pássaros e belas trilhas.