Caminho de Santiago de Compostela pela Via de la Plata / Caminho Sanabrés – José Claudio Fróes de Moraes

José Claudio Fróes de Moraes

“Uma senda se esculpe passo a passo e, às vezes, com o tempo e a constância, se faz caminho. Assim nasceu no ocidente peninsular um caminho que, conhecido hoje com o nome de Via de la Plata, foi o resultado de um trânsito contínuo ao longo dos milênios”. Assim o “Guia del Camino Mozárabe de Santiago – Via de la Plata” inicia a história deste afluente do Caminho-rio que nos conduz a Santiago de Compostela.

É, sem dúvida, uma opção que encanta aos peregrinos que percorrem a Espanha de sul a norte, seja saindo de Granada, de Córdoba ou de Sevilha. Esta região – o sul – guarda tesouros culturais e históricos, gerados pela convivência de mais de sete séculos entre cristãos, árabes e judeus. Por si sós, estes tesouros são suficientes para atrair turistas de todo o mundo. Porém, também há a presença romana ao longo da Via de la Plata, cujo traçado às vezes se confunde com milenárias calçadas romanas. Esta presença é especialmente marcante em Mérida, onde ainda podem ser admirados os aquedutos, teatros e anfiteatros, banhos públicos e templos de elaborada arquitetura e funcionalidade, tão características do Império Romano.

Assim como se pode iniciar essa rota de várias cidades, também é possível terminá-la de várias formas. Uma delas – proposta pelo Guia editado por El País – inicia em Mérida e conduz o peregrino a Astorga, onde ele continua pelo Caminho Francês até Santiago de Compostela. Ignorando as etapas anteriores e posteriores, esta opção, elimina os trechos de maior dificuldade, sinalização deficiente e infra-estrutura precária.

Há ainda a opção do Caminho do Levante, que inicia em Valência, ao leste, e que – passando por Toledo e Ávila, cidades de grande valor histórico – incorpora-se à Via de la Plata em Zamora.

Nota: Por ser uma rota menos freqüentada, com deficiência de sinalização e de albergues, alguns trajetos excessivamente longos e muitas vezes sem serviços essenciais ao peregrino, é imprescindível ter-se em mãos um guia confiável e informações atualizadas.

Ponto de partida: Sevilla.  Assim como Granada e Córdoba, Sevilha tem forte influência moura, seja na arquitetura, na música e dança, como nos belos cavalos andaluzes. É uma cidade agradável e acolhedora. Sua catedral é uma das maiores da cristandade e foi construída sobre uma mesquita, da qual se conserva a torre – a Giralda –, de arquitetura mourisca assim como o Real Alcázar, palácio árabe que se conserva original, ao lado do palácio cristão.”

(Inácio Stoffel, 2013, publicado em www.amigosdocaminho.com.br)


Caminho de Santiago de Compostela pela Via de la Plata / Caminho Sanabrés

José Claudio Fróes de Moraes

O objetivo buscado, além de compartilhar minha experiência de ter trilhado esse Caminho de 25 de setembro a 05 de novembro de 2019, é trazer informações atualizadas sobre o Caminho e a infraestrutura de apoio, mormente quanto à extensão das jornadas diárias, à alimentação e aos locais de pouso, a fim de contribuir com quem ainda planeja percorrê-lo.

Em Sevilla, uma opção é ficar alojado no Albergue Privado Triana (Calle Rodrigo de Triana, 69, Sevilla, 41010), todo com decoração mourisca, muito bom e próximo da Associação dos Amigos do Caminho de Santiago em Sevilla (Calle Castilla, 82, Sevilla, 41010) onde pode ser obtido o folder com mapa do caminho e outras informações. O albergue aceita reserva.

Ficou evidente a melhoria do apoio logístico no caminho, com inúmeros albergues novos, serviços de alimentação e outros, em locais onde antes nada havia, o que veio criar opções e possibilidades de redução da quilometragem a percorrer nas etapas diárias.

A sinalização está visível e bem posta ao longo de todo o percurso, com pequenas exceções. Pelo menos uma opção de caminho alternativo, não passando por Granja de Moreruela, para reduzir a distância total a percorrer já não mais existe.

1ª Etapa: Sevilla a Guillena (23 Km). Trecho urbanizado de 9,5 Km passando Camas, até Santiponce, onde se pode ver o Mosteiro de San Izidro del Campo, do Século XIV, e um conjunto arquitetônico itálico com ruínas de teatro romano. Terreno plano e fácil, entre extensas plantações de algodão até chegar a Guillena. Há o Albergue Municipal de Peregrinos e outro privado além de opções para alimentação e bons supermercados.

  Foto  Terraço do Albergue Triana

2ª Etapa: Guillena a Castilblanco de los Arroyos (19 Km). Grande parte do caminho entre plantações de oliveiras e manchas de limoeiros. Gado leiteiro fechado entre os pés de oliva, com alimentação reforçada por ração de feno, e muitas lebres. Vegetação e solo que lembra nosso agreste nordestino, sem qualquer apoio. Caminhada em subida de baixa dificuldade. É curiosa a existência de uma cacimba d’água a alguns metros do eixo do caminho, sinalizada em vários idiomas, tal qual um monumento raro naquela região desértica. É muito bom o Albergue Municipal de Peregrinos. Há bares e restaurantes disponíveis.

 Foto Cacimba de Água Potável

3ª Etapa: Castilblanco de los Arroyos a Almadén de la Plata (30 Km). Os 17 Km iniciais são feitos ao longo de rodovia pavimentada, com longa rampa ascendente de 2 Km a partir do Km 12. Os 14,5 Km seguintes estão na área da Reserva Natural Norte de Sevilla. Trecho deserto e sem apoio algum em termos de água ou alimentação. Abundância de corticeiras (alcornoque) e algumas oliveiras. Forte aclive nos penúltimos 2 Km para alcançar o Cerro do Calvário, que faz jus ao nome. Descida íngreme calçada no último 1,5 Km. É muito bom o Albergue Municipal de Peregrinos de Almadén de la Plata. Há vários bares e restaurantes.

 Foto Descida do Calvário para Almadén de la Plata

4ª Etapa: Almadén de la Plata a El Real de la Jara (15,6 Km). Trecho sem qualquer apoio de água ou alimentação. Lindas paisagens, repletas da árvore que produz a bellota (encina). Criação extensiva de caprinos, ovinos e suínos. Terreno acidentado com muito sobe e desce, trechos, nada comparável à chegada ao topo do Cerro do Calvário. Muito bom o Alojamento Rural de Peregrinos. Há também o Alojamento Molina, o Hostal Rural e bares restaurantes disponíveis.

Nota: A árvore alcornoque, produtora de cortiça, e a encina (azinheira), produtora de bellota, são muito parecidas, inclusive seus frutos.

5ª Etapa: El Real de la Jara a Monestério (22,0 Km). Trecho sem grande variação visual, muitas encinas, algumas corticeiras, suínos, ovinos, bovinos de cria, terreno em aclive, 3 Km de subida na chegada a Monestério, em caminho bem sinalizado. Pontos de apoio de água, áreas de descanso e até restaurante em povoado com posto de serviços ao cruzar rodovias pavimentadas. Matadouros de suínos com pontos de venda de embutidos. Monestério é conhecida como a terra do jamón. Saída da Província de Sevilla, Comunidade Autônoma da Andaluzia, e entrada na de Badajós, Comunidade Autônoma de Extremadura. É muito bom o Albergue Privado Las Moreras. Há albergue paroquial, bares e restaurantes disponíveis.

Nota: Pode-se cobrir o trajeto Almadén de la Plata a Monestério em um só dia, andando um total 37,6 km.

6ª Etapa: Monestério a Fuente de Cantos (22,5 Km). Trecho ermo, com fazendas de gado, criação de porcos, florestas de encina e feno colhido, talvez a etapa mais tranquila até então, com poucos aclives e declives. Paisagem limpa e descoberta nos últimos 10 Km. O albergue privado El Zaguán de la Plata é muito bom, com cozinha, mobiliado, pátio todo decorado com flores, árvores, jardins, redes e piscina. O Albergue Convento está fechado. Para comer, há café bar, restaurante e pizzaria.

 Foto Albergue El Zaguán de la Plata

7ª Etapa: Fuente de Cantos a Zafra (26,3 Km). Vento de proa muito forte a partir do Km 10. Muitas oliveiras e criação de ovinos e suínos. Manchas de florestas de encinas. Pueblo de Calzadilla de los Barros no Km 7, com albergue. A Igreja de San Salvador estava fechada e não foi possível ver o retábulo gótico-mudéjar. Puebla de Sancho Peres no Km 22,5 também com albergue. Zafra é uma bela cidade, casco histórico, alcazar, castelo, parador, bodegas Medinas Las Monedas e Igreja da Candelária. É muito bom o Albergue da Associação dos Amigos do Caminho, com cozinha e café da manhã. Bons hotéis, hostais, bares e restaurantes.

8ª Etapa: Zafra a Villafranca de los Barros (22,0 Km). Friozinho ao sair, 13°C. Pueblo Los Santos de Maimona no Km 4,5. Olivais, vinhas e criação de porcos 50% ibéricos. Trecho um pouco confuso nos últimos 5 Km, cruzamento de ferrovia, rodovia autopista e rodovia N-630, agravado por sinalização direcionando os peregrinos para albergues na chegada. Albergue Privado Extrenatura. Há outros três albergues e bons bares restaurantes.

9ª Etapa: Villafranca de los Barros a Torremejia (28,3 Km). Caminho encascalhado em terreno plano entre olivais e vinhas. Carência de pontos de apoio,de sombras ou de um banco para descanso. Entre os Km 17/18, entrada para Almendralejo, cidade de bom porte. Se entrar na cidade, o percurso até Torremejia será acrescido de 3 a 6 km, caso se siga pela rodovia ou se volte pelo mesmo caminho por onde se foi à cidade. Colheita manual de azeitonas ao longo de toda a etapa. Trecho monótono e bem sinalizado com setas amarelas e/ou vieiras esmaltadas em azulejo. Saída da Província de Badajós e entrada na de Cáceres, ainda na Comunidade Autônoma de Extremadura. Bom albergue privado em Torremejia, Rojo Plata, com cozinha e café da manhã. Há também um albergue turístico e um bom bar e restaurante.

10ª Etapa: Torremejia a Aljucén (32,5 Km). Os 16 Km até Mérida são desérticos e feitos  entre vinhedos e olivais. Mérida, fundada pelo Imperador Augusto, é considerada patrimônio da humanidade, ainda conserva teatro, museus, anfiteatro, templos, banhos públicos, a ponte romana sobre o rio Guadiana, a Alcazaba, o Arco de Trajano, aquedutos romanos e possui albergue e refúgio de peregrinos. Nos 6/7 Km seguintes até a Represa Romana de Proserpina (Século I/II DC), que fornecia água para Emérita Augusta, paisagem de olivais e floresta de encinas. Da represa até El Carrascalejo, 7/8 Km posteriores, pastagens com gado miúra e floresta de encinas. Em Aljucén só há um pequeno albergue privado com 12 camas e um bar restaurante. Etapa longa, quente e cansativa. O único albergue ficou lotado, a quantidade de peregrinos aumentou a partir de Mérida.

Nota: El Carrascalejo teria sido a melhor opçāo para pernoitar, a 2,8 Km antes de Aljucén, com dois albergues e bom bar restaurante.

 Foto Ponte Romana sobre o rio Guadiana em Mérida

11ª Etapa: Aljucén a Alcuéscar (22,3 Km). Vegetação de cerrado, encinas e alcornoques. Rebanhos de ovinos e de bovinos de leite. Muitos porcos ibéricos confinados em chiqueiros, em mangueirões ou soltos. Coxilha com cerração, sol encoberto até às 10:30 horas já aparece queimando. Caminho ascendente, mas de dificuldade média. Últimos 7 Km com plantações de figo e oliveiras. Muito bom o Albergue Paroquial da Casa de Misericórdia em Alcuéscar. Há um bar restaurante e um minimercado.

 Foto Albergue Paroquial da Casa da Misericórdia em Alcuéscar

12ª Etapa: Alcuéscar a Valdesalor (27,5 Km). Vegetação de cerrado com cultivo de figos e oliveiras. Rebanhos ovinos, caprinos e bovinos. Vila Don António no Km 9, com albergue. Aldea del Cano no Km 12, com Albergue, aeroclube no Km 23. Ponte Romana Santiago de Bencáliz no Km 14. Ponte romana na chegada de Valdesalor, no belo, largo, fértil, verde e destoante vale do rio Salor. O Albergue Municipal de Valdesalor é pequeno e de qualidade de razoável para boa. Há bom bar restaurante e outros albergues privados e turísticos.

 Foto Vale do Salor e Pueblo de Valdesalor

13ª Etapa: Valdesalor a Casar de Cáceres (26,8 Km). Paisagem árida e amarela, cerradão com feno colhido e enfardado. Alguns bovinos e ovinos. Pueblo Porto de Camelos no Km 4,
Quartel de Carros de Combate do Exército Espanhol, Acampamento Militar de Santana.
Cáceres, no Km 12/13, Capital de Província de mesmo nome, é considerada Patrimônio da Humanidade por seu passado romano e por seus palácios, igrejas e catedral gótica construídos nos séculos XV e XVII. O Albergue Municipal de Casar de Cáceres é razoável, com cozinha e máquina de lavar e secar roupas. O povoado possui cinco queijarias, um museu do queijo, supermercados e bons bares restaurantes

Nota: Cabe ressaltar que o comércio nessas pequenas localidades funciona das 09/10:00 às 14/15:00 e das 17/18:00 às 19/20:00 horas. Nos domingos e feriados a restrição é maior.

14ª Etapa: Casar de Cáceres a Embalse de Alcántara (26 Km). Caminho por fazendas (fincas) de gado bovino e ovino. Pastagens e terrenos semelhantes ao nosso cerrado em MT, MS e GO, não chega ao padrão e aridez do nosso NE. Muito pedrisco e também muito seco, por isso diferente do RS e SC. Até esta etapa se vê inúmeros rios sazonais, quase todos secos nesta época. Caminha-se muito no topo das montanhas, sempre vendo o horizonte em todos os lados, sem encontrar uma só vila. Um trecho aproximado de 5 Km em acostamento de rodovia asfaltada, margeando e cruzando o rio Tajo. Muito bom hostal isolado em ponto turístico a 1,5 km fora da estrada, na represa de Alcántara, do rio Tajo, o mesmo que passa em Toledo e vai se transformar no Tejo ao entrar em Portugal até desaguar no Atlântico na região de Lisboa. Linda vista do lago da represa. Café da manhã e lavação de roupa incluídos, refeições do almoço e jantar oferecidas no restaurante do hostal.

 Foto Entardecer na Represa de Alcántara

15ª Etapa: Embalse de Alcántara a Grimaldo (22,3 Km). Esse trecho é feito em campos e pradarias com muitas pedras soltas, com rebanhos de gado ovino e bovino miúra. Vila de Cañaveral no Km 11,5. Primeira fonte de água potável no caminho, no Km 13/14. Em seguida, uma bela subida com pedras soltas e depois bosques de alcornoque mesclado com algumas encinas. Plantações de oliveiras. Albergue Municipal de Grimaldo é razoável, pago mediante doação. Povoado com dois albergues e dois bares restaurantes, nada mais.

16ª Etapa: Grimaldo a Carcaboso (34 Km). De início, extensas pradarias até o Km 14/15, terreno ascendente e floresta. Depois de longa descida, vale e canal de irrigação tornam a paisagem verde, com pastagens de azevem e cultivo de milho. Muito gado bovino de leite e ovino. Galisteo no Km 22, cidadela fortificada, com albergue municipal. Carcaboso é um povoado com melhor infraestrutura básica de serviços. É muito bom o Albergue Turístico da Senhora Elena. Há albergue municipal e juvenil, bares restaurantes e minimercados.

 Foto Cidadela em Carcaboso

17ª Etapa: Carcaboso a Aldeanueva del Camino (43 Km). Pradarias, gado bovino e ovino, alcornoques e encinas. Paisagem verde nos vales, gado charolês e de outras raças. Ruínas de cidade romana no Km 19, com o Arco de Caparra bem preservado e escavações identificadas. Pode-se ver várias vilas, mas de 2 a 3 Km fora do eixo do caminho. A paisagem é mais verde, os rios tornam-se perenes à medida em que se avança para Norte. Etapa cansativa, caminho ascendente e por vezes bem íngreme. Há carência de água, apenas uma bica d’água a 3 Km da chegada, pouco antes de uma curta subida com calçada romana em bom estado. Albergue Municipal razoável. Há outros albergues turísticos, hostais, bares e restaurantes no povoado.

 Foto Arco de Caparra, Século I DC / Calçada Romana

  Foto  Calçada Romana

18ª Etapa: Aldeanueva del Camino a Calzada de Béjar (24,5 Km). Baños de Montemayor no Km 10, seguido de longo e íngreme aclive em piso irregular, e Puerto de Béjar no Km 14, vilas com serviços essenciais e albergues, em trecho de dificuldade média. Saída da Província de Cáceres e Comunidade Autônoma da Extremadura e entrada na Província de Salamanca e Comunidade Autônoma de Castilla y León. O albergue arivado Alba y Soraya é muito bom, com jantar e café da manhã comunitário. Há um bar no povoado, hostais e albergues rurais.

 Foto Igreja e Plaza Mayor

 Foto Vila de Calzada de Béjar

19ª Etapa: Calzada de Béjar a Fuenterroble de Salvatierra (22,5 Km). Etapa tranquila, com florestas de alcornoque em abundância e pradarias com gado bovino, ovino e suíno.
Pueblo de Valverde de Valdelacasa no Km 9,5 com albergue de peregrinos, e de Valdelacasa no Km 13. Caminho difícil, com longas e íngremes subidas. É excelente o Albergue Paroquial Santa Maria de Fuenterroble de Salvatierra, oferece jantar e café da manhã comunitário. Há bons bares restaurantes. Pueblo aconchegante.

 Foto Albergue Paroquial de Fuenterroble de Salvatierra

20ª Etapa: Fuenterroble de Salvatierra a San Pedro de Rozados (29,5 Km). Terreno plano nos primeiros quilômetros. Forte subida em trilha de 2 a 3 km, piso irregular, pedras soltas, e caminho ainda ascendente até sítio de dezenas de geradores eólicos no Pico de la Dueña no Km 15/16. Cruzeiro no topo, bela e longa vista do vale abaixo. Gado bovino, ovino e suíno. No Km 24/25, em caminho ao longo de estrada asfaltada, bela fazenda com coxilhas cercadas de arame farpado com estacas maciças de pedra para vistoso e homogêneo rebanho de gado bovino da raça limousina, e cerca de pedra para suínos, centenas ou milhares, com separação para machos castrados, cachaços, leitões adultos, porcas solteiras e porcas com leitõezinhos, com certeza uma fazenda modelo. Depois de 4 a 5 Km em estrada rural de terra, chega-se ao povoado simples, sem atrações, com igreja de pedra e Plaza Mayor. Um albergue privado razoável, outro em reforma, um bom hotel rural com restaurante.

21ª Etapa: San Pedro de Rozados a Salamanca (24,5 Km). Saída mal sinalizada dentro da vila. Caminhada fácil, sempre descendo suavemente. Morille no Km 4, pequeno povoado com albergue de peregrinos. Paisagem pastoril estilo pampa ou cerrado com gado bovino. Bastante terra arada e pronta para o plantio. Pueblo de Miranda de Azán no Km 21, já avistando Salamanca, também com albergue municipal de peregrinos. Povoado de Carbajosa de la Sagrada no Km 23, bem junto de Salamanca. Ponte romana sobre o rio Tormes na chegada a Salamanca, catedral com semelhanças à de Burgos, com menos vitrais, uma cidade turística de grande valor histórico (patrimônio da humanidade), cultural (universidades) e econômico, com a parte moderna acolhedora e simpática. O casco histórico abriga igrejas mescladas com as várias faculdades. O Albergue Paroquial é muito bom, com cozinha, e abre às 15:00 horas. Abundância de bares, restaurantes e outros meios de hospedagem.

Nota: A maioria dos pequenos pueblos do Caminho possuem apenas tiendas com pequena variedade de produtos oferecidos.

22ª Etapa: Salamanca a Calzada de Valdunciel (18 Km). Saída da cidade com deficiência na sinalização no longo trecho urbano até a periferia. Pueblos de Aldeaseca de la Armuña no Km 6 e de Castellanos de Villiquera no Km 11. Fazenda com rebanho de gado charolês e limousina (cor amarela pra vermelha). Albergue Municipal de Peregrinos com apenas oito camas, cozinha, sala com lareira, tanque e varal pra secar roupa. Há um bar que fornece apenas lanches e um minimercado.

Nota: A melhor opção teria sido seguir até o Albergue de Valdunciel, mais 6 Km no caminho em direçāo a El Cubo de Tierra del Vino, no município mas não no pueblo de Valdunciel.

23ª Etapa: Calzada de Valdunciel a Villanueva del Campeán (36 Km). Paisagem rural de cerrado verde e úmido. Albergue no Km 6. Pastagens com rebanho de gado ovino e bovino da raça limousina. Floresta esparsas e plantações de milho. Caminho ao longo da rodovia até El Cubo de la Tierra del Vino no Km 22. Saída da Província de Salamanca e entrada na de Zamora, ainda na Comunidade Autônoma de Castilla y León. Seguindo por terreno menos acidentado, apenas ondulado, surge o sistema de irrigação sobre rodas. Bastante terra lavrada pronta para plantio e grandes estoques de fardos de feno. Villanueva del Campeán só tem um bar restaurante, albergue municipal com pequena capacidade, outros albergues privados e um hotel turístico.

24ª Etapa: Villanueva del Campeán a Zamora (20 Km). Etapa com vários trechos sujeitos a alagamento, com piso de barro escorregadio, tipo saibro, a exigir o uso do cajado e cuidados para permanecer na vertical. Terreno em suave declive, por estradas rurais em meio a campos desertos e com alguma cobertura arbórea. Três vilas fora do eixo do caminho nos Km 4, 8 e 15 para eventual apoio. Rebanhos ovinos e bovinos. Cultivo de girassol, pilhas de fardos de feno e muita terra preparada para o plantio. Imponente ponte romana sobre o rio Douro na chegada a Zamora, bela cidade com muralhas, castelo, igrejas, teatros e casco histórico bem preservado. Muito bom albergue paroquial junto à igreja San Cipriano, que abre às 14:00 horas. Há um albergue juvenil e outros meios de hospedagem, além de todos os serviços.

 Foto Teatro de 1916 no centro da milenar Zamora

25ª Etapa: Zamora a Montamarta (20 Km). Longa saída de Zamora em trecho urbano, bem sinalizada. Pueblo Roales del Pan no Km 7, com albergue fechado, minimercados, padarias e farmácias. Solidão e silêncio da natureza, no meio do nada, muita terra lavrada e já pronta para a semeadura. Plantação de girassol e pequeno haras perdido no campo, com cavalos e pôneis. Montamarta é um pequeno povoado com Albergue Municipal de Peregrinos, isolado e com cozinha, duas casas rurais, um restaurante, três bares e um minimercado.

26ª Etapa: Montamarta a Granja de Moreruela (26 Km). Barro escorregadio a exigir o uso do cajado e cuidados para permanecer na vertical. Campos preparados para plantio. Grande quantidade de feno estocado em fardos. Pueblos de Fontanillas de Castro no Km 12, e de Riego del Camino no Km 15, ambos com albergue municipal novo e bares restaurantes disponíveis. Etapa de baixo grau de dificuldade. Granja de Moreruela com albergue municipal e casa rural, dois bares abertos e duas tiendas fechadas por ser domingo.

 Foto A Bifurcação dos Caminhos

 27ª Etapa: Granja de Moreruela a Tábara (27 Km). Granja de Moreruela é um divisor de caminhos: pode-se continuar na Via de la Plata para o Norte até Astorga e incorporar-se ao Caminho Francês, ou seguir o Caminho Sanabrés a Noroeste e chegar a Tábara. A caminhada é fácil, com um pequeno desvio é possível visitar as ruínas do Monastério de Moreruela. Logo após a ponte, no Km 6/7, há a opção de uma “escalaminhada” por trilha para contornar e contemplar a exuberância da beleza natural na alta e rochosa orla da represa Esla. Depois segue-se por trilha em meio a floresta até tomar estrada ladeada por plantações de beterraba, sorgo, girassol e milho até chegar a Faramontanos de Tábara, com adegas enterradas, refúgio para peregrinos, bar restaurante e minimercado. O Albergue Municipal de Tábara é muito bom e oferece jantar e café comunitário, tudo mediante doação. Há albergues privados, hostal e vários bares restaurantes.

Nota: Não há mais a alternativa de ganhar um dia seguindo-se diretamente de Zamora para Tábara (45 Km) nos 5 Km ao longo da rodovia N-630 e 21 Km no acostamento da rodovia N-631. Por segurança, em decorrência do grande volume de tráfego de veículos, está proibido o trânsito de peregrinos pelo acostamento da N-631.

                     

Fotos Escalaminhada” na orla da Represa Esla

28ª Etapa: Tábara a Santa Marta de Tera (24 Km). Dia tranquilo, terreno de dificuldade média para fácil. Paisagens de terra lavrada pronta para plantio, plantações de milho, girassol e vinhas. Rebanhos de ovelhas cuidadas por pastor e cães. Cervos cruzando o caminho nos trechos em campo tipo cerrado. Vilas de Bercianos de Valverde no Km 14, sem qualquer serviço, e de Villanueva de las Peras no Km 19, com dois bares e dois albergues. Santa Croya de Tera no Km 22, pueblo muito simpático e com longo jardim bem cuidado nas margens do rio Tera, um albergue turístico e minimercado. Santa Marta de Tera é uma vila mais simples, um bar restaurante, bom albergue municipal e um albergue turístico, com o belo Monastério de Santa Marta, estilo Románico Zamorano, do Século X/XI.

 Foto Monasterio de Santa Marta de Tera

29ª Etapa: Santa Marta de Tera a Rionegro del Puente (27 Km). Caminho sinuoso e ascendente pelo Vale do rio Tera em estradas rurais paralelas à rodovia N-525 ou mesmo no acostamento do asfalto. Povoados de Calzadilla de Tera no Km 9,5 (com bar e albergue), de Olleros de Tera no Km 12,6 (com albergue e bar restaurante), de Vega de Tera no Km 15,5 e Junquera de Tera no Km 18, as duas últimas com poucos serviços. Criação de porcos ibéricos em enormes galpões ou em cercados, plantações de milho e muita terra preparada para o plantio, tudo entremeado por esparsas florestas. Represa e hidrelétrica de Nossa Senhora de Agavanzal, com uma aconchegante Ermida da Santa. Chegada com recepção de rebanho de ovelhas prestes a atravessar a ponte sobre o Rionegro, cuidadas por um pastor e inúmeros cães com visíveis funções específicas. É muito espaçoso e confortável o Albergue Municipal de Peregrinos, com calefação, banheiros e dois alojamentos independentes. Um bar restaurante e um restaurante gourmet com comida farta e saborosa, tudo o que um peregrino necessita.

                                     

Fotos Rebanho prestes a cruzar a ponte do Rio Negro             Recanto no Albergue de Rionegro del Puente

30ª Etapa: Rionegro del Puente a Asturianos (27,5 Km). Caminho em terreno ondulado e com dificuldade média a fácil, exceto pela carência de sinalização em um ou outro ponto. Pueblo de Mombuey no Km 9, com albergue e bar restaurante. Pueblos de Valdemerilla no Km 14, de Cernadilla no Km 17, de San Salvador de Palazuelo no Km 20 e de Entrepeñas no Km 25, todos fantasmas, sem serviços e com poucos sinais de habitação. Pastagens com gado bovino. Cervos e lebres cruzando o caminho nos trechos com vegetação típica de cerrado. Asturianos, pequena vila fria e ventosa. Albergue Municipal de Peregrinos com seis camas num ginásio de esportes, com calefação. Lotado, houve a opção de dormir no saguão, em colchões no chão, com cobertores fornecidos. Refeições feitas no bar do ginásio. Há um albergue privado, um hostal, minimercado e bares disponíveis.

31ª Etapa: Asturianos a Requejo (27 Km). Campo tipo cerrado desde início e caminho por estradas rurais passando por vilas desertas com igreja, ruínas e até boas casas. Pueblos de Palacios de Sanabria no Km 4, de Remesal (apenas o acesso) no Km 6,  de Otero de Sanabria no Km 8 e de Triufé no Km 11, todos sem serviços e com muito poucos sinais de habitação permanente. Até Puebla de Sanabria no Km 15, bela e histórica vila fortificada, com o Castelo do Conde no topo, um albergue convento, todos os meios de hospedagem e demais serviços, apenas os últimos 5 Km são feitos por asfalto. Segue-se trecho com topografia acidentada, subidas íngremes e extensas, a maior parte feita por estradas rurais e trilhas, a cavaleiro de riachos pedregosos pontuados por pequenas cachoeiras a descer entre densas vegetações ciliares. Abundância de castanhas portuguesas a forrar o caminho na chegada a Requejo, vila cortada pela rodovia N-525, com dois bares restaurantes, igrejas e um hostal. Albergue privado muito bom e com calefação, além de albergue municipal e outros privados.

 Foto Rio Tera e baixio de Puebla de Sanabria, vista do Castelo

32ª Etapa: Requejo a Lubián (20 Km). Caminho interditado por obras de construção da infraestrutura para o Trem de Alta Velocidade impôs um trecho de 10 Km em subida íngreme e contínua pelo acostamento da rodovia N-525 até Padornelo, povoado com bar restaurante e hostal. Segue-se uma descida de 3 Km, ainda pela N-525, para tomar novo caminho de 7 Km em estradas rurais sinuosas, ao longo de riachos, com exuberante beleza natural e abundância de alcornoques, de castanheiras portuguesas, de macieiras e de nogueiras, até Lubián, pueblo com pequeno albergue municipal equipado com calefação, mais dois hostais, casa rural, hotel, minimercado e dois bares restaurantes.

33ª Etapa: Lubián a A Gudiña (27,5 Km). Por entre montanhas, pesada e exigente, subidas íngremes e longas sobre pedras soltas até chega-se ao Santuário de la Tuíza no Km 3, depois à Vila A Canda no Km 10, primeiro povoado da Província de Ourense, Comunidade Autônoma da Galícia, deixando para trás a Província de Zamora e Comunidade Autônoma de Castilla y León. No Km 14 está Vilavella, onde há um bom bar e restaurante. A natureza promove o seu espetáculo, com longas trilhas em florestas, águas correntes ruidosas, túneis verdes, muitas frutas a forrar o chão, rebanhos bovino e ovino e topografia acidentada com alguns trechos de “escalaminhada”, como que a compensar as agruras do caminho. A Vila O Pereiro no Km 18 oferece serviços de alimentação, segue-se um cerradão pedregoso, úmido, em piso irregular e inúmeras subidas e descidas até a A Gudiña, cidade com grande e bom albergue municipal de peregrinos, confortável e com calefação. Há dois bares restaurantes com boa comida.

 Foto Ermita Santuário La Tuíza, Século XVIII

34ª Etapa: A Gudiña a Campobecerros (22 Km). Metade da etapa feita ao longo de rodovia em asfalto, com subida íngreme de 2 a 3 Km logo no início. Ferrovia à esquerda e represa do Embalse As Portas à direita, vistos da linha de cumeada por longo tempo. Casarios desérticos de Alto do Espiño no km 5, de A Venda da Teresa no Km 8, de A Venda da Capela no Km 11 e de A Venda del Bolaño no Km 14, todos sem serviços. Vistas das obras de construção da infraestrutura do Trem de Alta Velocidade de Puebla de Sanabria a Ourense. O Albergue Municipal de Campobecerros é bom, com calefação. Um bar restaurante oferece boa comida.

 Foto O Piliqueiro, em Campobecerros

35ª Etapa: Campobecerros a Vilar de Barrio (36,0 Km). Etapa em terreno bem acidentado de onde se pode ver o trabalho de construção das obras d’arte especiais da infraestrutura para o Trem de Alta Velocidade de Puebla de Sanabria a Ourense. Vilas de Portocamba no Km 3 e de As Eiras no Km 8, ambas sem serviços. Criação de suínos confinados e pastagens para gado bovino em áreas íngremes e regulares. A cidade de Laza no Km 16 oferece um albergue xacobeo de peregrinos e todos os demais serviços. Trecho bem exigente de 7 Km, passando pelos povoados de Soutelo Verde no Km 18 e de Tamicelas no Km 22, com subidas muito íngremes, vistas fantásticas de lindas paisagens e várias plantações de castanha portuguesa. Pueblo de Albergueria no Km 27, albergue municipal fechado para reforma e o bar “Refúgio do Peregrino” com centenas, talvez milhares de conchas decorativas nas paredes e tetos, todas com datas e dedicatórias de peregrinos que por lá passaram. Os últimos 9 Km com pastagens para gado bovino e cultivo de milho, hortaliças diversas e abóboras. Primeiro hórreo visto no Caminho, estilo galego. Vilar de Barrio é uma boa cidade, um albergue municipal muito bom, com cozinha, lavadora, secadora e calefação. Há bons bares restaurantes e minimercados.

 Foto Bar Refúgio do Peregrino em Albergueria

36ª Etapa: Vilar de Barrio a Xunqueira de Ambía (15 Km). Há pelo menos três opções de caminho a tomar para se completar esta etapa, com muitos pueblos ao longo de qualquer uma delas, todos sem meios de hospedagem ou outros serviços, por vezes um bar restaurante, mas que possibilitam abrigos para driblar eventuais chuvas que venham a cair. Destacam-se as vilas de Bóveda (Km 2,5), de Vilar de Gomareite (Km 3,1), de A Abeleda (Km 9,8) e de Cima de Vila (Km 10,7). Muita terra preparada para o plantio, feno enfardado em abundância, gado bovino, cultivo de hortaliças, de beterrabas e de milho, com muitos hórreos. O Albergue  Xacobeo de Peregrinos é muito bom, com calefação, um pouco fora da cidade. Vários bares restaurantes e um minimercado. Vale a pena conhecer o Monastério de Xunqueira de Ambía.

 Foto Claustro do Monastério de Xunqueira de Ambía

37ª Etapa: Xunqueira de Ambía a Ourense (24 Km). Etapa com muitos povoados ao longo do caminho, quase toda feita em rodovias asfaltadas, descendo montanhas, repleta de áreas com cultivo de hortifrutigranjeiros, de pastagens para gado bovino e das paisagens típicas e exuberantes da Galícia. No Km 19, depois do polígono industrial, Seixalbo ainda mantém a aparência que deveria ter na Idade Média, cheia de cantos e ruas estreitas à espera de serem descobertas. Ourense é uma cidade grande e agradável, com lindo casco histórico, catedral, igrejas, termas, museus e muitas atrações que merecem ser visitadas. O Albergue Municipal de Peregrinos é muito bom, há vários outros albergues privados e todos demais os serviços.

 Foto Altar da Catedral de Ourense

38ª Etapa: Ourense a Cea (24 Km). A saída para esta etapa passa pela Ponte Romana, com vistas da Ponte do Milênio, ambas sobre o Miño, e estação ferroviária. Abrem-se duas opções, a menos utilizada vai por Tamallancos. A outra, menos montanhosa e “mais fácil”, segue por Quintela no Km 5, Cachaxúas no Km 6, com subida muito íngreme de 2 a 3 Km em via de asfalto pela Costiña do Canedo até Cima da Costa no Km 8. Cruza as vilas de Liñares no Km 11, de Mandrás no Km 17, de Pulledo no Km 20 e de Casas Novas no km 22, todas sem serviços, no máximo um bar que ainda pode estar fechado. A maior parte do caminho é feita por estradas rurais através de campos cobertos por vegetação rala ou mais densa, em trilhas ou cumeadas de montanhas, passando por calçadas romanas e com lindas vistas panorâmicas. Há muitas pastagens com rebanho de gado bovino fechado por cercas de pedra, criação de suínos em chiqueiros cercados e cobertos, milharais e hortas com muita couve e beterraba. A Vila de San Cristóbal de Cea possui bom albergue municipal de peregrinos, com calefação, dois bares restaurantes e um minimercado.

39ª Etapa: Cea a Castro Dozón (22,3 Km). Boa parte do percurso é feita por asfalto, outra por estradas rurais, num constante subir e descer em piso irregular de muitas pedras soltas. Há
abundância de piquetes cercados com pedra, gado bovino e suíno, feno em fardo, lavouras de milho e hortas de couve e outras verduras. Há vários povoados ao longo do caminho. Vale a visita ao Monastério de Oseiras no Km 9. Ainda na Comunidade Autônoma da Galícia, a Vila A Gouxa no Km 17 é a primeira da Província de Pontevedra, deixando para trás a Província de Ourense. Muito bom o albergue municipal de peregrinos, com calefação. Há cozinheira para almoço opcional até às 16:00 horas. Bar restaurante distante fornece transporte para o jantar, com comida farta e saborosa.

Nota: Ao sair de Cea, há a opção de seguir à esquerda em direção a Piñor, por onde também se chega a Castro Dozón, poupando 6 Km de caminhada.

 Foto Monastério Medieval de Oseiras (Século XII)

40ª Etapa: Castro Dozón a Silleda (29,5 Km). O caminho inicial se faz por rodovia asfaltada seguida de trecho em estradas rurais, e novamente asfalto passando por vários povoados até a boa cidade de Lalin no Km 15, com albergue privado no centro e todos os serviços. A Vila de Bendoiro no Km 22 possui albergue xacobeo de peregrinos e alimentação. A topografia é de um constante sobe e desce com trechos em bosques, onde se pode ver pastagens com rebanho de gado bovino e ovino, suínos em galpões, criação de aves em geral, plantações de beterraba e de milho, hortas com muita couve, árvores de avelãs e de castanhas portuguesas. Existem albergues turísticos e privados em Silleda, boa cidade com todos os serviços.

                                                   

Fotos Ponte de Tabuada ( Século X) e saída em aclive

41ª Etapa: Silleda ao Albergue Reina Lupa, Deseiro (Sergude) (30,8 Km). Parte da etapa se faz por asfalto, outra por estradas rurais e trilhas com muitas curvas. Bandeira no Km 6,5 conta com um albergue xacobeo de peregrinos. Cruza-se a fronteira entre as províncias de Pontevedra e A Coruña, ambas na Comunidade Autônoma da Galícia. Há muitas subidas e descidas e os 5 Km antes de Puente Ulla no Km 19 são de declive acentuado. Em Puente Ulla, há uma bela e imponente ponte romana, albergue privado e bares restaurantes com boa comida. Continuam as lindas paisagens, bela arquitetura sacra, criações de animais, cultivo de cereais e hortifrutigranjeiros e surgem extensos vinhedos. Vários trechos são feitos em meio a bosques e pequenas matas. No Km 22 pode-se pernoitar no Albergue Xacobeo de Peregrinos de San Pedro de Vilanova em Outeiro, Vedra, não há serviço de alimentação. O Albergue Reina Lupa às margens da rodovia N-525, com lavadora, secadora e bar restaurante é muito bom e fica bem próximo do destino final que pode ser alcançado em duas a três horas, antes da Missa do Peregrino.

 Foto Igrexa de San Pedro de Vilanova, Século XVII

42ª Etapa: Albergue Reina Lupa, Deseiro (Sergude) a Santiago de Compostela (11 Km). O percurso prossegue em constantes subidas e descidas, pontilhado pelos cruzeiros e belas igrejas antigas ao cruzar inúmeras vilas. Milharais em abundância, vinhedos, plantações de beterraba roxa e rebanhos de gado bovino e ovino, em caminho florido e de lindas paisagens. Finalmente o tão esperado dia, corpo bem cansado, muita ansiedade, expectativa e motivação para a chegada. Caminho iniciado sob o calor escaldante da Andaluzia, uma semana de labuta com bolha na sola do pé direito na Extremadura e vários dias de chuva e barro escorregadio a partir de Castilla y León. O sentimento de chegar é ímpar e a impressionante aura reinante na Praça Obradoiro exala os bons fluídos da vitória alcançada pelos peregrinos que ali chegam, todos exaustos, com certeza, mas satisfeitos, agradecidos e radiantes de alegria.