Você sabia 10 – Monastério de Irache – NAVARRA – 654,6 Km de Santiago

As origens do monastério de Irache – regido pela Ordem dos Beneditinos -remontam ao século VIII. Alguns edifícios são do século XI e têm detalhes medievais renascentistas e barroco. A grande torre é inspirada nas de San Lorenzo de El Escorial, de Madri e preside um conjunto de três claustros e uma igreja do século XII. Por achar-se em pleno Caminho de Santiago, construiu-se ali uma hospedaria para peregrinos, por ordem do rei de Nájera-Pamplona Garcia Sanches III, em 1054. Teve várias funções ao longo dos séculos: de início foi monastério e hospedaria de peregrinos; de 1569 a 1824 foi universidade (a primeira da Navarra); hospital de sangue nas Guerras Carlistas e, hoje, abriga serviços de hotelaria.

Chama a atenção a Fuente del Vino, situado junto ao muro das Bodegas Irache. As duas bicas da fonte servem água fresca e vinho. “Peregrino, si quieres llegar a Santiago con fuerza y vitalidade de este vino echa um trago y brinda por la felicidad”, diz uma inscrição, em referência à hospitalidade medieval, quando a nenhum peregrino se negava um pedaço de pão e uma taça de vinho.

A partir de Irache, pode-se seguir para Luquin ou para Villamayor de Monjardín.

A caminho de Villamayor de Monjardín, passa-se por Azqueta onde se pode descansar na praça do povoado e aproveitar para reabastecer-se de água na fonte.

Villamayor de Monjardín – NAVARRA – 650,2 Km de Santiago

A história da cidade está ligada ao castelo-fortaleza de San Esteban de Deyo, um baluarte defensivo contra a invasão muçulmana, tomado e retomado várias vezes. Em 778, foi tomada aos mouros pelo exército do rei franco Carlos Magno, futuro imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Voltou a cair em mãos árabes e, novamente, retomado pelo rei navarro Sanches Garcés I, em 908.

Tempos depois, após a retirada moura do norte espanhol, o castelo foi doado pelo rei Sancho II ao monastério de Irache. Contudo, em nova doação do rei Sancho, o Maior, passou a pertencer à catedral de Pamplona. De 1564 até 1835 foi propriedade do Duque de Alba e seus descendentes. Nas Guerras Carlistas – guerras intermitentes entre 1833 e 1876 – foi ocupada alternadamente por centralistas e carlistas. Pouco resta para ver-se, além dos muros de arenito. Uma lenda dá conta de que Sancho Garcés I ali foi enterrado.

Vale a pena admirar os casarões ornados de brasões de família e a belíssima igreja de San Andrés, templo de estilo românico com torre barroca. Guarda em seu interior uma cruz processional em prata, datada do século XII.

São quase treze quilômetros entre Villamayor de Monjardín e Los Arcos, por paragens isoladas, numa antecipação do que virá nas planícies castelhanas.

Luquin – NAVARRA – 645 Km de Santiago

Um caminho alternativo, à esquerda do monastério de Irache, leva a Luquin. O caminho é íngreme, em acentuado aclive por meio de belas matas. Já próximo do povoado, inicia-se uma descida igualmente acentuada.

Luquin existe como povoado desde 921. Sua igreja, dedicada a San Martín de Tours, é medieval, tendo sido renovada e ampliada no século XVII.

Conta uma lenda local que um humilde agricultor, lavrando seu campo, encontrou duas imagens: da Virgen de los Remédios e da Virgen del Milagro, que se tornaram alvo de devoção na região e a elas foram atribuídos inúmeros milagres. Como o povoado vizinho de Villamayor de Monjardín não tinha uma imagem da Virgem, o povo de Luquin cedeu uma das duas. No entanto, já no dia seguinte à doação, a imagem que permaneceu em Luquin apresentou gotas de sangue, que só pararam de gotejar quando a imagem cedida voltou ao povoado.