Você Sabia 11 – Los Arcos – NAVARRA – 637,9 Km de Santiago

Los Arcos, como atestam estudos arqueológicos, era habitada desde a Idade do Bronze. Era identificada pelos historiadores romanos como Curnonium, até ser destruída por Quinto Sertorio, no ano de 72 a.C, em guerra com os apoiadores do ditador Sila. Logo, porém, formou-se um novo núcleo urbano com as populações vizinhas remanescentes.

A atual Los Arcos surge no século XI a partir de um pequeno bairro que se transformou em vila, graças ao repovoamento ordenado pelo rei de Navarra Sancho Garcés IV, após vencer a batalha de Valdegón, em 1067. A batalha fez parte da Guerra dos Tres Sanchos: navarros e aragoneses de um lado e castelhanos de outro, sendo os castelhanos os vencidos.

Em 1274, o povoado volta a sofrer os efeitos da guerra ao ser atacado por castelhanos, que disputavam a região aos bascos. Em 1463, Los Arcos foi incorporado ao reino de Castilla, por sentença arbitral do rei da França Luis XI, sem, contudo, perder seus privilégios políticos e comerciais. Em 1521, numa tentativa de reconquista pelos reis bascos, Los Arcos é atacada e saqueada. No ano de 1763, a cidade volta a ser incorporada à Navarra.

Com a invasão das tropas de Napoleão, em 1809, o coronel francês Belloc se defrontou com guerrilheiros espanhóis nas cercanias de Los Arcos. Os guerrilheiros eram abastecidos, às escondidas, de comida e bebida por moradores da cidade, que não demoraram a unir-se na luta contra os franceses: trinta e dois dos mais de cem voluntários losarquenses morreram na Guerra da Independência. A conturbada história espanhola ainda envolveu Los Arcos nas Guerras Carlistas (1833 a 1876) e na guerra civil de 1936 a 1939.

Ainda assim, Los Arcos viveu momentos de esplendor nos séculos XV e XVI, quando sua condição de fronteira entre Navarra e Castela lhe permitiu gozar de foros dos dois reinos sem pagamento de impostos a nenhum deles.

A igreja de Santa María, do século XII, em estilo românico, ao qual foram acrescentados detalhes góticos, renascentistas, barrocos e neoclássicos, tem sua portada é lavrada em pedra como um retábulo. Seu interior é magnífico; mesmo a meia luz pode-se ver os detalhes decorativos de suas colunas, arcos e cúpula, além dos belos retábulos dos altares principal e laterais, em estilo barroco. Os afrescos que a decoram são pintados sobre madeira e prata, imitando o couro repuxado de Córdoba.  Impressiona seu claustro gótico e os assentos do coro, em madeira talhada. A torre renascentista, do século XVI, levou 30 anos em obras e foi inaugurada pelo rei Felipe II.

O portal de Castilla, do século XVII, exibe o brasão de Felipe V de España. Ainda há vestígios da ocupação romana e do castelo medieval nos arredores da cidade.

Torres del Río – NAVARRA – 630,3 Km de Santiago

Torres del Río foi um assentamento agrícola romano, sem registros históricos. A vila também foi ocupada pelos muçulmanos, até ser retomada pelos espanhóis no período da Reconquista. Em 1109 foi ali construído um monastério subordinado ao monastério de Irache, sendo este e seu subordinados tomados sob a proteção do papa Alexandre III, em 1172. Entre 1463 e 1753, Torres del Río pertenceu ao reino de Castilla, por sentença arbitral do rei francês Luis XI, pondo fim à disputa entre os reis Enrique IV, de Castilla, e Juan II, de Aragón. Ainda assim, seguiu regendo-se pelas leis e pela economia navarra/aragonesa.

Durante a ocupação napoleônica, de 1807 a 1814, voluntários locais, de Sansol e de Los Arcos uniram-se ao grupo guerrilheiro sob o comando de Francisco Xavier Mina e deram combate aos franceses, que debandaram.

A igreja do Santo Sepulcro foi construída entre 1160 e 1170, pela Ordem dos Cavaleiros do Templo, com planta octogonal similar à igreja homônima de Jerusalém e à ermida de Nossa Senhora de Eunate. A cruz patriarcal, na entrada da igreja, é o símbolo da Ordem Militar do Santo Sepulcro. O interior surpreende por sua sóbria elegância. A cúpula, de evidente influência da arquitetura árabe, mostra nervuras em forma de estrelas de oito pontas, entre as quais se intercalam pequenas aberturas que iluminam estes detalhes. Seus capiteis são um mundo de aves, serpentes e centauros.

A caminhada até Viana é temida por seus contínuos sobe-e-desce, justificando o apelido de ‘rompepiernas’ (quebra-pernas). A trilha leva ao alto do Poyo, onde está a ermida da Virgen del Poyo, do século XVI, com traços góticos em seu interior.

Ao atingir o maior topo do trecho, avista-se a cidade de Viana e, ao longe, Logroño. As cidades parecem próximas. Puro engano. Até Viana o peregrino ainda tem de caminhar por duas horas e meia e passar por Cornava, antigo assentamento agrícola romano.