Você Sabia 12 – Viana – NAVARRA – 619,4 Km de Santiago

Viana foi habitada desde o período Neolítico, como prova um cemitério com mais de cem corpos e datados entre 2650 a 2500 a. C. Também há registros das Idades do Bronze e do Ferro na região. Os achados arqueológicos avançam em direção a romanização da Espanha (Hispania, para os romanos), entre os quais cerâmicas, fivelas e moedas. Por ser uma vila aliada do general Pompeu, aliado do ditador Sila, foi atacada e destruída por Quinto Sertório, no século I a.C. Sua população dispersou-se e fundou vilas ao redor, sempre às margens do rio Ebro.

Conta uma lenda que o frei beneditino Gregorio Argáiz construiu um monastério sobre um antigo templo de Diana, ao oeste da atual cidade. Dedicado a um santo local – Pedro de Torreviento – nele teria morado e morrido a monja e santa Anatoquia.

A província de La Rioja foi ocupada pelos muçulmanos até o ano de 923 e não há registro histórico do período de ocupação. São do século XI, documentos que voltam a referir-se ao monastério, bem como a outro que teria sido construído logo após a reconquista cristã.

A tensão entre os reinos de Castella e de Navarra iniciou, em 1195, as hostilidades entre os exércitos do rei basco Sancho VII, o Forte, e do rei castelhano Alfonso VIII. O rei basco construiu um castelo-fortaleza nas proximidades da atual Viana e dali partia para fustigar o reino vizinho. Outras fortalezas foram construídas na região pelos reis bascos. Em 1219, o rei Sancho VII, fundou Viana, agregando e abrigando a população de oito vilas do entorno dentro de suas muralhas, atraindo migrantes de outras regiões e países, incluindo uma importante comunidade judia.

Em 1275 as muralhas foram testadas com um forte ataque castelhano, que destruiu os campos cultivados e as habitações fora dos muros. A paz celebrada em 1336 voltou a ser rompida no ano de 1378, e Viana foi ocupada pelos castelhanos por oito anos.

O rei basco Carlos III, o Nobre, instituiu o título de Príncipe de Viana, em 1423, em benefício de seu neto Carlos. Em 1466, a cidade recebeu o título de “ Noble y Muy Leal” e permissão criar manter um mercado de seus produtos agrícolas e de artesanato.

Personagem histórico importante em Viana, César Bórgia foi bispo de Pamplona, cardeal, príncipe, guerreiro e libertino. Por ser o segundo filho do papa Alexandre VI, foi encaminhado à vida religiosa, que deixaria com o assassinato de seu irmão Giovani, iniciando sua vida militar como capitão das forças do papado. Foi nomeado duque de Valentinois, em 1498, pelo rei Luís XII de França como gesto de amizade com o papa.

Foi casado com Charlotte de Albret, e teve uma filha: Luisa Bórgia. Porém, como o pai, foi um devasso. Suspeita-se que ele tenha matado o irmão e sido amante da irmã, Lucrécia. Muitos de seus atos criminosos foram encobertos pelo poder exercido pelo pai. Ao final de 1502, César Bórgia assassinou vários de seus inimigos, após convida-los para virem a seu palácio de Senigallia.

Conviveu com figuras ilustres como Leonardo da Vinci e Nicolau Maquiavel. Leonardo trabalhou para César como engenheiro e arquiteto civil e militar. Maquiavel o teria usado como modelo para escrever “O Príncipe”.

Após a morte de Alexandre VI, César foi perseguido e preso alternadamente tanto pelo rei de Castilla Fernando II, o Católico, como pelo novo papa, Júlio II, ambos inimigos declarados da família Bórgia.

Em 1506, fugindo de Nápolis, onde foi decretada sua prisão, aderiu ao exército navarro como general do rei Juan de Labrit, seu cunhado. Embora sua experiência militar na Itália lhe desse vantagem na concepção de estratégias, mesmo conquistando a cidade de Viana, em 1509, não conseguiu tomar o castelo, em mãos castelhanas. Fez o cerco ao castelo, disposto a fazer seus ocupantes morrerem de fome e sede. Contudo, por um descuido de suas tropas, os sitiados foram providos de alimentos e água. Raivoso, César Bórgia saiu em perseguição aos que socorreram os sitiados e acabou por ser emboscado e morto pelos castelhanos. Seu corpo, por ordem do rei basco foi enterrado na capela principal da igreja de Santa María.

Em 1512, os castelhanos invadiram a Navarra e conquistaram Pamplona, capital basca. Também Viana rendeu-se. O rei de Castilla Carlos I fez apor seu brasão nas muralhas da cidade. Durante os séculos XVI e XVII famílias nobres de Burgos, Viscaya e Guipúzcoa estabeleceram-se em Viana. Como parte da desforra castelhana, os ossos de César Borgia foram transladados para a “Calle Mayor”, para ser pisoteada por pedestres e cavalos. A partir de então, a cidade passou a pertencer ao reino de Castilla, até 1523.

Viana foi atingida pela peste negra em 1599, fechando suas portas aos infectados, que eram tratados precariamente fora de suas muralhas. Em 1630, Viana recebeu o título de Ciudad (cidade) do rei navarro Felipe VI.

A cidade também esteve envolvida nas três Guerras Carlistas – de 1833 a 1872, em anos intermitentes -, chegando a ser quartel-general dos liberais isabelinos. Estas guerras destroçaram as igrejas, em especial de San Pedro e a população local sofreu saques dos exércitos rivais, que se alternavam na posse da cidade.

Durante a guerra civil espanhola – de 1936 a 1939- não houve combate ou execuções em Viana. No entanto, a pobreza gerada em consequência da guerra, levou à migração de muitos vianenses às grandes cidades e capitais como Bilbao, Zaragoza e Barcelona. A recuperação deu-se nos anos 1960, com a instalação de um polígono industrial na região.

Seu centro histórico é amuralhado e repleto de mansões palacianas que foram fronteiriças dos antigos reinos de Castela e Navarra, situação que condicionou sua história, assim como de outras localidades de fronteira entre os reinos.

Dos monumentos de Viana, destacam-se a Prefeitura barroca e a igreja de Santa María, altiva, luminosa, com portada renascentista inspirada no arco do triunfo romano.

À saída da cidade situa-se a ermida da Virgen de las Cuevas, patrona de Viana. Alguns historiadores sustentam que houve ali uma banca templária dedicada ao câmbio de moedas e à cobrança de tributos de fronteira.