Você Sabia 13 – Logroño – Província de LA RIOJA – 610 Km de Santiago

Logroño é a capital da província de La Rioja e centro econômico, cultural e de serviços. Banhada pelo rio Ebro, foi sempre um lugar de passagem e cruzamento de caminhos e de fronteiras disputadas por reinos rivais.

Logroño está associada à localidade romana de Vareia, que hoje faz parte da cidade. Plínio, o Velho, escritor e historiador romano, menciona Vareia como ponto de apoio a tropas de Augusto. Foi importante porto fluvial, que permitia o comércio da cidade com o restante da Hispania romana. (O porto continuou ativo até o século XI).

No ano de 575, o núcleo celta de Cantábria, foi devastado pelas tropas do rei godo Leovigildo, cujas ruinas ainda podem ser visitadas, próximas à cidade.

Seu primeiro registro histórico com o nome de Lucronio é do ano de 965, quando é doada ao Monastério de San Milán. O Caminho de Santiago de Compostela deu impulso à cidade. Em 1095 o rei de Castilla Alfonso VI concedeu-lhe foro de cidade, citada como Logronio, lembrando a palavra celta para vau, ou passagem fluvial.

Logroño e La Rioja devem muito ao rei de Catilla y León Alfonso VI. Foi ele quem, deslocada a fronteira de Castela até a margem do Ebro, encarregou Santo Domingo de la Calzada e seu companheiro de obras, São Juan de Ortega, da melhoria da ponte de pedra sobre o rio. No final do século XI, a obra converteu-se em catalizadora de uma cidade que, até então, não passava de um assentamento agrícola.

Em 1431 recebe o título de Ciudad (cidade) do rei castelhano Juan II, que a denomina “Muy Noble y Muy Leal”, em 1444.

Em 1521, Logroño resistiu dentro de suas muralhas a mais de trinta mil soldados franceses e bascos. Num ataque noturno de surpresa, os logronhenses espalharam pânico entre as tropas atacantes, disseminando o engodo que o duque de Nájera viera em seu auxílio com vinte mil soldados. Apavorados, os sitiantes retiraram-se às pressas. A partir de então, Logroño comemora o dia de San Barnabé – 11 de junho – como o dia da vitória. Em 1523, o rei da España Carlos I – também sagrado Imperador do Sacro Império Romano-Germânico com o nome de Carlos V – outorgou a Logroño o brasão que ostenta três flores de lis, por sua resistência frente ao cerco francês. Um arco comemorativo –  Del Revellín –  ainda pode ser visto na muralha da cidade, com o brasão real. A cada visita real, a cidade era regalada com novas obras e tinha seu comércio fortalecido.

Ainda em meados do século XVI, funda-se ali o primeiro colégio da Sociedade Jesuítica, que viria a tornar-se em foco difusor do humanismo e da cultura. Em contraponto, em 1570 foi criado em Logroño um tribunal da Inquisição, que deixou um registro de um ato de fé que resultou na morte em fogueira de seis ‘brujas’, em 1610.

Em 1833 converte-se em capital da Província de Logroño; em 1980, passa a incorporar a Província de La Rioja, muda de nome, mas continua capital.

Apesar de se terem incendiado a igreja de Santiago, uma escola religiosa e as oficinas do El Diário de La Rioja, Logroño e região não enfrentou grandes conflitos durante a guerra civil, de 1936 a 1939; contudo, alguns assassinatos e prisões infundirem medo à população.

A catedral de Santa María de la Redonda foi construída sobre um templo medieval de 1196, de estilo românico. A atual é de estilo gótico, do século XV, com acréscimo das torres barrocas no século XVIII. Em 1453 obteve o título de colegiada (colégio de clérigos assessores de um bispo). Chama-se La Redonda por ser uma igreja octogonal, similar às de Eunate e Torres del Río. Entre 1516 e 1596 foi construído seu corpo central em estilo gótico, com oito pilares cilíndricos que suportam a abóbada, cujo conjunto lembra um palmeiral. Vale destacar a beleza dos assentos do coro, o retábulo barroco do altar principal, do século XVII, e o quadro da Crucificación, atribuído a Miguelêngelo Buonarroti.

A igreja de San Bartolomé foi edificada no século XIII, junto às muralhas da cidade. Sua portada é tida como a melhor mostra de escultura gótica em La Rioja.

A igreja de Santiago, o Real, é do século XVI. No século seguinte recebeu a fachada barroca na qual impera uma grande imagem de Santiago Matamoros.

A igreja Imperial de Santa María de Palácio foi doada pelo rei Alfonso VII para a instalação da Ordem do Santo Sepulcro no reino de Castilla, em 1130. Sua torre gótica pontiaguda é do século XIII.

O antigo convento de La Merced é hoje a sede do Parlamento de La Rioja, biblioteca e sala de exposições. O convento de Madre de Dios, de 1531, destruído na guerra civil e reconstruído em 1971, está em desuso. Do convento de Valbuena, do século XV, só restam ruinas.

A ermida de San Gregorio, do século XV, foi reconstruída em 1994, usando-se as pedras originais.  No século XI, San Gregorio era abade do mosteiro de San Cosme y San Damián e bispo de Ostia, quando ocorreu na região uma praga de gafanhotos. O religioso convocou o povo para uma procissão de penitência ao longo do rio Ebro até Logroño, levando as relíquias dos santos mártires Emetério e Caledônio. Os gafanhotos iam-se apinhando em camadas e desaparecendo para sempre. San Gregorio estabeleceu-se em Logroño, onde dedicou-se a facilitar o trânsito de peregrinos, incentivando a Domingo García – futuro Santo Domingo de la Calzada – a fazer o mesmo. Já velho e doente, San Gregorio ordenou que, ao morrer, montassem seu corpo em uma mula e deixassem que ela escolhesse o lugar de sua sepultura. A mula não foi longe, atravessou o rio Ebro e dirigiu-se à capela de San Salvador de Panaba, no povoado de Sorlada. Na crença popular, o santo continua a realizar milagres: a água que passa através da relíquia de seu crânio é aspergida nos campos para que produzam mais e se mantenham livres de pragas.