Você sabia 14 – Navarrete – LA RIOJA – 597,2 Km de Santiago

Embora tenha sido ocupada intermitente e esparsamente desde milênios, Navarrete surge como vila por determinação do rei de Castilla Alfonso VIII, em 1195, como parte do processo de consolidação do domínio castelhano. Por ser passagem para Santiago de Compostela, ali se construiu o albergue de San Juan de Acre, no final do século XII, cujas ruinas são vistas à beira do Caminho, pouco antes de Navarrete. Questões dinásticas, instabilidade política e econômica, lutas entre reis e nobres e a peste negra justificaram a construção de um castelo sobre a colina Tedeón e de muralhas no entorno da vila, que vieram a perder-se com a unificação do país e dos quais não existem vestígios.

Hoje famosa por suas peças de cerâmica e por suas vinícolas, a localidade é mais antiga que Logroño e foi cenário de muitas batalhas entre castelhanos e navarros. Ainda conserva seu traçado medieval e seus casarões de largos beirais.

A atual igreja de Santa María de la Asunción, de estilo renascentista, foi construída a partir de 1523. Seu altar-mor é em estilo barroco, datado do século XVII.

À saída de Navarrete o peregrino passa pela porta do cemitério, à qual se adicionou a rica portada da antiga hospedaria de San Juan de Acre, gótica de transição e decorada com motivos geométricos.

Nájera – LA RIOJA – 581 Km de Santiago

Nájera nasceu de uma localidade romana chamada Tritium Magalum, criada a dois quilômetros da cidade atual. No século X houve ali lutas entre mouros e cristãos. Foram os mouros que lhe deram o nome atual: Náxara e ao rio denominaram Naxarilla. Construíram um castelo fortificado no cerro da Motta e um alcázar (palácio real), dos quais nada resta.

Em 923 os reis de Pamplona Sancho Garcés I e de León, Ordoño II, conquistam Nájera e grande parte de La Rioja. Garcia Sanches, filho de Sancho assume o Reino de Nájera, para onde transfere a capital do reino de Pamplona, após a morte do pai e a destruição de Pamplona por Abderramán III, califa de Córdoba, em 924. Denominou-se rei de Nájera-Pamplona e instaurou a política de repovoamento dos territórios e fez vultuosas doações aos mosteiros da região, em especial a de San Milán de la Cogolla.

Seus descendentes, contudo, foram forçados a pagar tributo ao califado de Córdoba, para manterem-se no poder. Sancho III originou a legislação navarra, que serviu de base do direito nacional. Incentivou a peregrinação a Santiago de Compostela, criando albergues e hospitais e convertendo a cidade em ponto chave da rota jacobeia.

Com a morte de Sancho III, o reino foi dividido por seus três filhos. García Sánches III herdou os territórios de Nájera e Pamplona, além da hegemonia política sobre os reinos dos irmãos. Expandiu seus domínios sobre Calahorra e Zaragoza, fundou o monastério de Santa María la Real como sede episcopal e favoreceu os mosteiros do reino. Morreu na Batalha de Atapuerca, lutando contra o irmão Fernando I de Castilla, em 1054.

Lenda e história misturam-se na biografia de Garcia Sanches III. Num dia, ao caçar pelos arredores da Nájera, viu uma pomba de bom tamanho e lançou seu falcão à caça. As aves desapareceram na mata. Intrigado com a demora do falcão em retornar, seguiu na mesma direção das aves, chegando até a entrada de uma caverna, de onde saía uma intensa luminosidade. Ao entrar, deparou-se com um altar sobre o qual havia uma imagem da Virgem Maria. Aos pés do altar, chamou sua atenção uma jarra com açucenas frescas e as duas aves – a pomba e o falcão –, pacíficas e tranquilas. O rei, crendo que o prodígio só podia ser uma mensagem celestial, fez erguer ali a igreja de Nuestra Señora la Real e um mosteiro e a caverna tornou-se o panteão destinado ao sepultamento dos reis de Navarra. Em 1044, em honra à imagem que encontrou, Garcia Sanches III instituiu a Orden de Caballería de la Terraza, também conhecida como Orden de la Jarra e Orden de las Azucenas, a mais antiga ordem militar da Europa.

Garcia Sanches III foi sucedido por Sancho IV, que faz celebrar no monastério de Santa María la Real o Concílio de Nájera, substituindo o rito religioso visigodo pelo rito romano. Junto com seu primo Sanches Ramírez de Aragón fez frente às pretensões expansionistas do rei de Castilla Alfonso VI. Em 1076 é assassinado pelo próprio irmão Ramón, originando a divisão do reino. A parte navarra é anexada ao Reino de Aragón. Nájera deixa de ser reino e é incorporada ao reino de Castilla por Alfonso VI de León.

Ainda assim, a cidade não perde prestígio, mantendo um importante papel na vida política, econômica e de notáveis acontecimentos. A coroação de Fernando III de Castilla ocorreu em Nájera, em 1217.

Um século e meio após, em 1367, Nájera deu nome à batalha entre os exércitos de Pedro I, o Cruel, e Enrique de Trastámara. Apoiado por tropas inglesas, Pedro I derrotou Enrique e a cidade sofreu dura repressão.

O rei de Castilla Juan II deu a Nájera o título de Ciudad (cidade), em 1438. Em 1454, Enrique IV de Castilla lhe concedeu o título de “Muy Noble y Muy Leal”.

Em 1520, Nájera junta-se ao levante contra a política imperial de Carlos I e também Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, com o nome de Carlos V. O movimento fracassou.

Nas Guerras Napoleônicas – 1808 a 1814-, Nájera foi ocupada pelos franceses, que confiscaram bens e saquearam o monastério de Santa María la Real, além de cobrar pesados impostos aos najerenses.

A ponte de oito arcos sobre o rio Najerilla, que une a cidade velha à nova, é uma ampliação da ponte original traçada por San Juan de Ortega, benfeitor do Caminho.

O monastério de Santa María la Real foi doado como sede episcopal pelo rei navarro García Sanches III, em 1045. Alfonso VI de Castilla doou-o à Orden del Cluny, com a qual permaneceu entre 1079 a 1513, ano em que passa à Congregación de San Benito de Valladolid. A igreja atual, em estilo gótico, iniciou a ser construída em 1435 e terminada em 1516. Seus retábulos barrocos são revestidos em ouro, com entalhes de grande arte, cercando as imagens de muitos santos. No subsolo está o Panteón Real, onde jazem os reis e rainhas do antigo Reino de Navarra. O monastério foi abandonado em 1835, após a Desamortización de Mendizábal, que consistiu na desapropriação de terras, bens e valores doados à Igreja por reis e nobres, para cobrir o déficit público do governo espanhol. Uma das ordens franciscanas ali instalou-se em 1895 e ali permanece na atualidade.

O convento de Santa Elena abriga monjas clarissas em clausura e foi construído no século XVI.