Você Sabia 15 – Azofra – LA RIOJA – 575,3 Km de Santiago

Azofra – LA RIOJA – 575,3 Km de Santiago

Citada em documentos desde 1040, a pequena Azofra tem o título de vila desde 1168, ano em que ali foi construído seu primeiro albergue, além de um cemitério para acolher os corpos dos peregrinos que faleciam no Caminho. O albergue original foi ativo até o século XIX; hoje não há nem mais ruinas dele.

A igreja de Nuestra Señora de los Ángeles foi edificada nos séculos XVII e XVIII. Em seu altar principal há um retábulo de três corpos (tríptico), o primeiro tem imagens de San José, San Roque e de María Magdalena; o central, imagens de San Pedro, San Pablo e de Nuestra Señora de los Ángeles; o terceiro, de Santiago Peregrino, San Buenaventura e San Antonio de Padua.

Casas com escudos nobiliárquicos falam de um passado melhor. O antigo cruzeiro de pedra que se vê na vila foi trazido da catedral de Colônia, Alemanha. Nos bares da Plaza de España há sempre um agradável e intenso ambiente peregrino.

Ainda que não esteja situado no traçado do Caminho, muitos peregrinos se desviam para o sul, a partir de Azofra, para conhecer os Monastérios de San Milán de Cogolla, considerados Patrimônio da Humanidade pela Unesco, por razões históricas, artísticas, religiosas, linguísticas e literárias.

Encravado na montanha, o monastério de San Milán de Suso é o mais antigo, do final do século VI, construído junto ao túmulo do eremita Aemilianus, ou seja, San Milán, falecido em 574. Seu estilo mescla elementos de arquitetura visigótica, mozárabe e pré-românica. Em Suso permanece seu cenotáfio, monumento fúnebre, construído em alabastro, no século XII, em que o santo é retratado vestido de roupas sacerdotais visigodas, anteriores à romanização da igreja espanhola.

Suso é ligada a uma lenda cantada por menestréis na idade Média que teria algo de verdade histórica. Segundo a lenda, no século X, sete irmãos, filhos do nobre Gonzalo Gustioz, foram capturados por muçulmanos, transladados a Córdoba e lá decapitados. Seus corpos foram levados a Castilla e depositados em sepulcros de pedras no pórtico meridional do Monastério de San Milán de Suso, que é lembrado como ‘el panteón de los siete heroes castellanos’.

Conta outra lenda, que o rei navarro García Sánches III, após inaugurar o monastério de Santa María la Real de Nájera, quis enriquecê-lo transladando para lá os restos de San Milán, que é o padroeiro de Castilla. Os bois da carroça carregada com os despojos do santo, mal saíram do monastério, empacaram, negando-se a avançar para Nájera. O fato foi considerado um milagre, razão pela qual o rei navarro decidiu construir um novo monastério no exato local em que os bois pararam, para abrigar os restos mortais do santo, acondicionados em urna funerária decorada com painéis dourados e em relevo. Assim surgiu o monastério de San Milán de Yuso, construído em 1053. Sua portada barroca é esplêndida, bem como sua igreja, sacristia e claustro, que teve por primeiros inquilinos monges beneditinos. (Atualmente, o monastério abriga frades da Orden de Agustinos Recoletos, que continuam a tradição iniciada pelo eremita San Milán, no século VI).

Embora produzida em Suso, é Yuso que abriga uma magnífica coleção de códices, entre os quais o ‘Glosas Emilianenses’, manuscritos em latim, espanhol medieval e navarro-aragonês, creditando-se a eles as raízes do espanhol atual.

Adiante, de volta ao Caminho, está Cirueña.

Cirueña – LA RIOJA – 565,8 Km de Santiago

Cirueña é citada em documentos do ano de 960 como local em que foram aprisionados o conde castelhano Fernán González e sua família. Para libertá-los, o rei de Castilla cedeu ao rei de Navarra parte de La Rioja (Alta La Rioja). No ano de 972, o rei navarro Sancho Garcés II doou Cirueña ao monastério de San Andrés. Em 1052, o rei Garcia Sanches III, doou a vila ao monastério de Santa María la Real de Nájera. No século XIV, despovoou-se devido aos frequentes ataques que sofria. O repovoamento ocorreu em 1387, com incentivos tributários a seus moradores.

A igreja de San Milán data do século XV, com remodelações nos séculos XVIII e XIX. Em seu interior há um retábulo em estilo rococó, do século XVIII.

A igreja de San Andrés foi construída em 1965, sobre as bases de um templo românico do século X, do qual guarda alguma aparência.