Você sabia 16 – Santo Domingo de la Calzada – LA RIOJA – 560 Km de Santiago

Santo Domingo de la Calzada – cidade que deve a este santo seu nome e existência –  é um dos lugares mais míticos do Caminho.

Após o falecimento de seus pais, Domingo García tentou sua admissão em dois monastérios beneditinos, sem sucesso. Retirou-se como eremita, levando uma vida contemplativa até 1039, quando passou a colaborar com o bispo de Ostia, San Gregorio, que o ordenou sacerdote. Juntos, construíram uma ponte de madeira sobre o rio Oja, para facilitar o trânsito de peregrino que rumavam a Santiago de Compostela.

Em 1044, com a morte do bispo, Domingo dedica-se totalmente ao Caminho. Desmatou, aplainou e construiu uma estrada (calzada) de pedras, modificando o traçado anterior do Caminho entre Nájera e Rencidilla del Camino. Para melhorar as condições de peregrinação, substituiu a ponte de madeira sobre o rio Oja por uma de pedra e construiu um complexo integrado de hospedaria, igreja e fonte de água, criando uma vila – Masburguete – e atraindo moradores e colaboradores, entre os quais Juan de Ortega, discípulo e continuador de sua obra.

Em 1076, o rei de León e Castilla Alfonso VI, o Bravo, vendo que o desenvolvimento do Caminho de Santiago de Compostela contribuía com seu projeto de incorporar La Rioja a seu reino, tornou-se partidário de Domingo e deu-lhe o apoio necessário para seu empreendimento.

Domingo morrreu em 1109, quando a vila de Masburgurte já estava consolidada e em franca expansão. Mais tarde seria chamada de Santo Domingo de la Calzada, em homenagem a Domingo García. Concentrando sua população ao redor da igreja e da hospedaria, recebeu o título e os privilégios de povoado em 1141, sendo governada pelo abade do monastério local. A partir de 1250, sua administração passou a responder ao rei de Castilla.

O rei Alfonso VIII concedeu à vila privilégios que a levaram a grande crescimento demográfico e logo foram se formando bairros ao redor do núcleo central, chegando a ter 3.000 habitantes, no século XVI. Hoje, a cidade é um importante centro de serviços, comércio, indústria e turismo.

A construção da catedral de Santo Domingo de la Calzada foi iniciada em 1158, para abrigar os restos mortais do santo. Em linhas gerais, é um misto de arquitetura românica, renascentista e gótica. O magnifico campanário exibe um barroco exuberante, acrescentado em 1767. O pórtico é renascentista, imponente e assimétrico. Os assentos do coro são entalhados com figuras de santos. O sepulcro de Santo Domingo merece ser admirado por sua delicadeza e magnificência. O retábulo do altar-mor, todo revestido em ouro, mostra cenas bíblicas de grande impacto e beleza. A capela funerária de Santa Teresa contém vários sepulcros góticos e um belo retábulo pintado em madeira, do século XV. O claustro é uma obra gótica, com influência árabe, na qual estão expostas obras de arte religiosa.

Em seu interior é conservado um galinheiro com duas galinhas, para que se recorde a mais popular lenda de milagre atribuído ao santo: uma família de peregrinos alemães de Colônia alojou-se numa pousada na cidade. A criada enamorou-se do filho dos hóspedes, que não correspondeu. Para vingar-se, a criada escondeu uma taça de prata no alforje do rapaz e o denunciou. Ele foi preso, condenado e enforcado. Os pais, aflitos, continuaram a peregrinação a Santiago. Ao regressarem, encontraram o filho ainda vivo, pendurado na forca: o santo o segurava pelos pés. Correram a contar ao corregedor da cidade, porém este não acreditou. “Seu filho está tão vivo como esta galinha que estou comendo”, contestou. No momento seguinte, a ave reviveu e cantou. Como diz o refrão: “Santo Domingo de la Calzada, donde cantó la gallina despues de asada”.

O convento de San Francisco foi edificado pelo arcebispo de Zaragoza Fray Bernardo de Fresneda, confessor dos reis Carlos V e Felipe II. Atualmente, uma parte dele é um estúdio de restauração de obras de arte. Uma segunda parte é um Parador de Turismo e uma terceira parte é um hospital. No pátio de uma das faces do convento existe um elaborado monumento ao peregrino, tendo ao fundo a cruz de Santiago e duas representações de Santo Domingo acolhendo peregrinos.

O monasterio de Nuestra Señora de la Anuciación abriga monjas cistercienses desde 1610. O retábulo do altar-mor de sua igreja é barroco, do século XVIII. A antiga casa do capelão é hoje um albergue.

A ermida de Nuestra Señora de la Plaza, patrona da cidade, foi a primeira morada das monjas cistercienses até que se concluísse o monastério.

Outras obras de interesse turístico-religiosos: ermida del Puente, ermida de la Virgen de las Abejas, e ermida de la Mesa del Santo, além de várias construções civis centenárias, de diferentes estilos e usos.