Você Sabia 17 – Grañon – LA RIOJA – 553,5 Km de Santiago

Grañon nasceu com a construção de um castelo-fortaleza sobre um cerro de nome Mirabelia, por ordem o rei de León Alfonso III, para defesa contra a invasão muçulmana na região, no ano de 885, e logo formou-se uma vila ao seu redor. Porém, Granionne, como era conhecida, esteve implicada também em guerras entre reis cristãos, como ocorreu entre os reis de Navarra Sancho IV e de Castilla Alfonso VIII, na segunda metade do século XI. Não há nem mesmo ruinas do castelo, que perdeu sua importância com o crescimento da vila, a expulsão dos mouros e a unificação do país.

Com a alteração do traçado do Caminho por Santo Domingo, o povoado desenvolveu-se a partir da agricultura, criação de gado e serviços aos peregrinos, incluindo hospitais, albergues e tavernas.

As terras férteis de Grañon foram disputadas por Santo Domingo de la Calzada. Sem chegar a um acordo, e para evitar que a disputa acabasse sendo resolvida pelas armas, estabeleceu-se que cada povoado indicaria um ‘campeón’ ou ‘valiente’ para uma luta corpo-a-corpo, sem armas. O vencedor daria a seu povoado o direito às terras disputadas. Santo Domingo elegeu um lutador especializado que treinava para a luta e era bem alimentado. O escolhido por Grañon era lavrador e não deixou de trabalhar a terra, sem preocupar-se muito com a luta, alimentando-se de feijões vermelhos.

Chegado o dia da disputa, o combatente de Santo Domingo apresentou-se nu e untado-se com azeite para impedir ser agarrado. Diante da dificuldade, Martín García o lavrador de Grañon, estudou o adversário até encontrar um ponto de apoio (o ânus), então, com suas mãos ásperas, levantou o adversário e o atirou ao solo, ganhando a disputa em favor de Grañon. Fato ou lenda, a verdade é que em agosto celebra-se o fato com uma romaria até a Cruz de los Valientes, localizada entre os dois municípios e suas populações comemoram juntas o litígio e homenageiam o vencedor. O que se come? Feijões vermelhos.

A igreja de San Juan Bautista é do século XV, sendo a sacristia e a torre posteriores. Em seu interior há uma pia batismal do século XII, único vestígio do monastério ali existente no passado. O imponente retábulo dourado do altar-mor é do século XVI, com imagens policromadas que parecem mover-se. Dignos de um olhar atento são os retábulos dos altares laterais e os assentos do coro, obra do século XVII.

As casas mais antigas do povoado são do século XVI e XVII e exibem as heráldicas das famílias que as habitaram. Em destaque as padarias, que oferecem as especialidades locais: bollos de Grañon (de manteiga), magdalenas (bolo inglês) e españolas (biscoitos).

A Ermita de los Judíos, à saída do povoado contém um cruzeiro, que antigamente servia como referência para guiar os caminhantes, e também um retábulo maneirista de 1540, representando a flagelação de Jesus. A ermida só é aberta uma vez ao ano, na sexta-feira santa.

Rendecilla del Camino – Província de BURGOS – 549,7 Km de Santiago

Já faz parte da província de Burgos, tem bons serviços ao peregrino, considerando seu tamanho, inclusive um escritório de informações turísticas. A igreja guarda uma joia histórica do século XII: uma grande pia batismal esculpida em pedra.

Castildelgado – BURGOS – 547,7 Km de Santiago

Um caminho rural leva a esta pequena localidade, pela qual passava o Caminho na Idade Média e que contou com um monastério dedicado a Santiago, subordinado ao de San Millán de la Cogolla.

Viloria de Rioja – BURGOS – 545,6 Km de Santiago

O nome original de Viloria de Rioja é citado em documentos de 1028 como Villa Oria. Seu filho mais ilustre foi Santo Domingo de la Calzada que nasceu neste povoado em 1019 e foi batizado na pia batismal que ainda se conserva na igreja local. Viloria é hoje apenas uma rua entre casarões de largos beirais e alguns poucos moradores que lutam para evitar o desaparecimento de tão emblemático lugar. O peregrino, ao transitar, contribui para sua permanência.