Você Sabia 18 – Belorado – BURGOS – 537,6 Km de Santiago

Após passar por Villamayor del Río – povoado conhecido por ‘El pueblo de las tres mentiras: ni es villa, ni es mayor, ni tiene río’ -, chega-se a Belorado.

É provável que a origem de Belorado tenha sido como um povoado celta e, mais tarde, romano. Na Idade Média já era uma vila, passagem natural do vale do rio Ebro para a Meseta, as grandes planícies que se seguem, o que lhe proporcionou um crescimento rápido e prolongado. No século XVI contava com um castelo defensivo, para proteger os territórios reconquistados. Foi o reduto que El Cid recebeu como dote ao casar-se com Jimena Díaz.

Em 1116, o rei navarro-aragonês Alfonso I, o Batalhador, concedeu o privilégio de organizar e manter uma feira, a mais antiga documentada do país. Mais para o final do século XII, Alfonso VIII de Castilla, o Nobre, permite que o conselho da vila use um selo próprio para legitimar seus documentos. A dependência da vontade real era crítica naqueles tempos. Favorecido por alguns, Belorado também foi alvo de vingança por parte de outros: por ter apoiado o rei castelhano Pedro I, o Cruel, a vila perdeu privilégios com a nova dinastia e ficou sujeita a altos impostos, em especial os judeus, que acabaram por abandonar Belorado, iniciando sua decadência. Durante a Idade Moderna (séculos XV a XVII) Belorado pertenceu aos Condetables de Castilla – representantes máximos do rei -, que se destacaram nas expedições à América, incluindo expedições científicas de estudo de flora e fauna. Belorado voltou a desenvolver-se.

A igreja de Santa María é do século XVI, com modificações externas feitas em séculos posteriores. Seu retábulo dourado, em estilo barroco, é do final do século XVII. São muito artísticos, também, a imagem de La Inmaculada, o quadro de Nuestra Señora de Belén e o retábulo de Santiago Matamoros.

A igreja de San Pedro é do século XVII. Seu retábulo é barroco, tendendo ao rococó. Impressiona a imagem do patrono – revestido de paramentos, tiara e segurando o báculo papal – no centro do belíssimo retábulo dourado, ornado de vistosas colunas e imagens de santos de devoção local: Juan Evangelista, San Andrés, Virgen Asumpta, San Matías e San Ciriaco. O órgão é em estilo rococó e os assentos do coro vieram do antigo convento de San Francisco. (Para conservar em bom estado suas duas principais igrejas, os moradores alternam o culto a cada seis meses numa delas).

A ermida de Nuestra Señora de Belén é o que resta do antigo hospital–albergue de peregrinos.

O Convento de San Francisco foi fundado em 1250. Ali hospedou-se San Bernardino de Siena quando peregrinou a Santiago de Compostela. Recentemente foi convertido em habitações familiares.

Do século XVI, o convento de Nuestra Señora de Bretonera acolhe monjas clarissas.

Tosantos – BURGOS – 532,8 Km de Santiago

Tosantos deriva de Todos los Santos. A ermida escavada em rocha que se vê na montanha ao fundo da vila é a de Nuestra Señora de la Peña, cuja imagem foi encontrada em 712. Acredita-se que tenha sido escondida durante a invasão dos mouros. Chama a atenção uma rara estátua de Santa Maria Magdalena, a pecadora perdoada por Jesus e que foi uma de suas mais fieis seguidoras, ainda cultuada nas pequenas vilas esquecidas pela Igreja.

O albergue local está instalado num casarão do século XVII. Nele se tenta reviver os rituais peregrinos do passado: jantar coletivo, orações e salmos lidos na capelinha improvisada e leitura de mensagens deixadas por outros peregrinos, escritas em seus próprios idiomas e lidos por pessoas de mesma nacionalidade.

Villambistia e Espinosa del Camino são pequenos povoados sem história ou expressão econômica.

Villafranca Montes de Oca – BURGOS – 525,7 Km de Santiago

Villafranca Montes de Oca foi fundada durante a ocupação romana com o nome de Auca e semidestruída durante a invasão muçulmana, no século VIII. Na Idade Média foi se desenvolvendo para sua localização atual, junto ao rio Oca. Chegou a ser sede episcopal, transferida para Gamonal (hoje parte de Burgos), em 1075. Acredita-se que o fundador da cidade de Burgos – Diego Porcelos – esteja enterrado na ermida de San Felices, da qual pouco resta.