Você Sabia 25 – Calzadilla de la Cueza – PALENCIA – 383,8 Km de Santiago

O trajeto até Calzadilla de la Cueza é longo: dezessete quilômetros no meio do nada. Só campos numa planície de poucas árvores, sem serviços de qualquer espécie.

Antes, porém, o peregrino passa pelo que foi a abadia de Santa María de Benevívere, monastério fundado em 1169 e entregue aos Canónigos Regulares de San Agustín. Dela resta tão-somente uma estrutura octogonal e o campanário, à qual foi anexada uma construção maior, mais recente. Seu interior é simples e despido de estatuária e altares, porém, chamam a atenção os desenhos circulares do piso feito de pedras. Várias esculturas de reis e nobres ornamentam o pátio em frente à abadia.  Em sua época de maior esplendor, contava com seis priorados e os papas Alexandre III e Lúcio III concederam-lhe privilégios. Em 1835, com a Desamotización de Mendizábal, os monges perderam a propriedade do monastério, que foi quase totalmente demolido, apesar dos esforços da Comisión Central de Monumentos para salvá-lo. A maioria de seus documentos são conservados no Archivo Histórico Nacional. Graças aos desenhos de Jean-Charles Danjoy, feitos em 1841, tem-se imagens do interior do monastério e ideia de sua magnificência.

Após a longa caminhada, Calzadilla de la Cueza surge de surpresa, pois está protegida por uma depressão do terreno. O povoado, construído pelos romanos ao longo da via Aquitânia, tem uma única rua, por onde passa o Caminho.

Em sua igreja, dedicada a San Martín, encontra-se um retábulo em madeira dourada, do século XVI, que nos conta algo sobre a riqueza do hospital-albergue e abadia de las Tiendas, cujas ruínas podem ser vistas mais adiante, a caminho para Lédigos. O hospital-albergue de las Tiendas, foi fundado em 1182 por Bernardo Martín, por concessão do rei de Castilla Alfonso VIII e doado posteriormente à Orden de Santiago, que o manteve em funcionamento até o século XIX, quando foi considerado improdutivo e levado a leilão público pela Desamotización de Mendizábal. (As terras e bens considerados não produtivos estavam quase sempre em poder de ordens religiosas ou de nobres, os habituais beneficiários de doações e testamentos. A finalidade dessa desapropriação foi acrescentar esses bens à riqueza nacional e criar uma classe média de lavradores proprietários. Além disso, o erário obtinha rendas extraordinárias com as quais visava amortizar os títulos da dívida pública).

Ao sair de Calzadilla, o peregrino terá feito metade de sua caminhada a Santiago de Compostela.

Lédigos – PALENCIA – 377,6 Km de Santiago

Lédigos é um povoado de construções em adobe – barro prensado com fibras vegetais – e sua vinculação com o Caminho é motivo de orgulho para seus moradores.

A igreja local, dedicada a Santiago, é a única no Caminho a representar em imagens suas três faces: de apóstolo, de peregrino e de guerreiro. Seus retábulos são do século XVII, da mesma época da construção do templo. Sua torre de tijolos substitui a original, que ruiu.

Havia no povoado um hospital-albergue – o de San Lázaro -, demolido em 1752. Com seus materiais foi construída a ermida de Nuestra Señora de Vallejera.

Terradillos de Templários – PALENCIA – 374,3 Km de Santiago

Como seu nome indica, foi possessão da Orden de los Caballeros del Templo. O Caminho foi desviado para passar por Terradillos de Templários em função do desaparecimento de duas outras localidades próximas que faziam parte do traçado original.

San Nicolás del Real Camino – PALENCIA – 369,1 Km de Santiago

Tanto a localidade de Moratinos quanto a de San Nicolás del Real Camino já faziam parte do Caminho na Idade Média. O documento mais antigo mencionando Moratinos é do ano de 955.

San Nicolás del Real Camino vinculou-se ainda mais à peregrinação após a construção de um hospital de mesmo nome, em 1183, que dava assistência a leprosos. Nada restou dele.