Você Sabia 26 – Sahagún – Província de LEÓN – 362,1 Km de Santiago

Sahagún situa-se entre dois rios: Cea e Valderaduey. No período romano, havia ali uma vila – Camata – que servia de parador para pernoite e troca de montarias, pois fazia parte da estrada que ligava Legio, hoje León, a outras estradas que levavam a Roma. A atual cidade nasceu em torno de um santuário dedicado aos mártires Facundo e Primitivo, romanos convertidos ao cristianismo e mortos por sua fé.

Com a concessão de foro de vila pelo rei de León Alfonso VI, disposto a consolidar o Caminho de Santiago de Compostela, houve grande incremento no comércio e na influência de Sahagún na região. No entanto, para escapar da perseguição de seu irmão, o rei de Castilla Sancho II, Alfonso VI recolheu-se no monastério de Sahagún e vestiu hábito beneditino, por algum tempo. Fugiu e refugiou-se no califado de Toledo, cujo rei mouro era seu vassalo. Com a morte do irmão, voltou a reinar em León.

A vila progrediu durante a Idade Média, atraindo artesãos de todas as profissões e de vários países. No ano de 1347, o papa Clemente VI, concedeu ao monastério de Sahagún o direito de ter sua própria universidade, o que aumentou sua influência sobre mais de uma centena de monastérios, conventos e igrejas. Na universidade ministravam-se cursos de Teologia, Direito Canônico e Artes Liberais. Em 1569, a Orden de San Benito transferiu a universidade para o monastério de Irache.

Ao longo dos séculos seguintes, Sahagún foi decaindo, piorando sua situação com a Desamortización de Mendizábal, no século XIX. Em 1808, ocorreu a Batalla de Sahagún, entre tropas inglesas, a serviço da Espanha, e francesas, que foram derrotadas.

Construída em tijolos no século XII, a igreja de San Lorenzo tem estilo românico, com influências gótica e árabe. Sua torre de quatro lances é do século XIV.

A igreja de San Tirso também é do século XII e de estilo românico, de aparência muito parecida com a de San Lorenzo.

O santuário de La Peregrina foi fundado em 1257 como convento franciscano, em estilo românico, totalmente em tijolos. Foi abandonado em 1835, com a Desamortización de Meduzábal. Atualmente é o Centro de Documentación del Camino de Santiago.

Sobre o santuário de Facundo e Primitivo foi construída uma igreja pelo rei de Castilla Alfonso III, o Magno, no início século X. Oitenta anos depois, em 988, foi destruída pelo exército muçulmano de Almanzor e novamente reconstruída, como monastério. Em 1080, o monastério foi entregue à Orden de Cluny – cuja vinda trouxe a mudança do rito religioso visigótico pelo romano -, passando a ser chamado de monasterio Real de San Benito. No século XV, o monastério entrou em decadência. Restam a capela de San Mancio, a Torre del Reloj e o Arco de San Benito, construído em 1662 para substituir a portada românica anterior que ruíra. O monastério abrigava o panteão de Alfonso VI e suas esposas, cujos sarcófagos foram transferidos para o Museo Arqueológico Nacional.

Outros monumentos religiosos de interesse são a igreja de La Santísima Trinidad, a igreja e monastério de Santa Cruz, a ermida de San Juan de Sahagún, de estilo neo-classico, e a ermida de La Virgen del Puente, situada antes de se chegar à cidade, em pleno Caminho.

À saída da cidade se faz pela ponte sobre o rio Cea, construída pelo rei de Castilla Alfonso VI, em 1085. Próximo dali, ocorreu uma das batalhas entre os exércitos do rei mouro Aigolando e de Carlos Magno, na qual morreram 40 mil soldados. Diz uma lenda que as lanças cristãs floresceram ao serem cravadas ao solo.

Bercianos del Real Camino – LEÓN – 352 Km de Santiago

O nome de Bercianos del Real Camino indica a procedência dos primeiros povoadores: el Bierzo. A vila já é citada no ano de 950 em documento de doação da localidade ao monastério de Sahagún. Uma das tradições do lugar é a procissão entre a ermida de La Virgen de Perales e a igreja do povoado, com o translado da imagem da santa. Assim como em outros lugares da Espanha, a imagem é vestida com roupas e manto de tecido bordado e bem modelado.

El Burgo Ranero – LEÓN – 344,2 Km de Santiago

Em meio à imensidão da planície, El Burgo Ranero é um povoado identificado com o Caminho, tanto que sua Calle Mayor se chamava antes Calle del Camino Francés e, ainda hoje, dispõe de todo o tipo de serviços necessários ao peregrino.

Ao sair de El Burgo Ranero, o peregrino deverá vencer quase treze quilômetros até chegar a Reliegos. Por sorte há uma área de descanso arborizada entre os povoados.

Reliegos – LEÓN – 331,4 Km de Santiago

As estranhas construções subterrâneas à entrada de Reliegos são antigas adegas de vinho abandonadas, algumas poucas foram transformadas em casas de moradia.

Como tantas outras localidades do Caminho, a região de Reliegos foi habitada há mais de 150 mil anos, de acordo com os achados arqueológicos que também confirmam a presença humana ao longo da Idade do Bronze e do Ferro. Os romanos ali estiveram, criando um assentamento de nome Palantia ou Pelontium, como a denominou Ptolomeo, citando-a como a capital dos Lugones. Os romanos a fizeram um ponto de encontro de três importantes vias de transporte comercial e militar: Augusta-Tarraco, Augusta-Burdilaga e Anónimo de Rávena. Em 456, a vila foi saqueada pelo rei visigodo Teodorico II, sendo repovoada muitos anos após. Com a expansão do reino de Astúrias, entre 718 e 910, passou a chamar-se Campus Gothorum (Campo dos Godos).

A localidade foi abandonada com a invasão muçulmana e novamente repovoada com migrantes que vinham do sul dominado pelos invasores e que aceitavam trabalhar e defender a terra. Em 916, o rei de Galiza y León Ordoño II doou a vila, já chamada de Reliegos, à igreja Santa María de León. Anos mais tarde, em 971, o Rei Ramiro III de León doa a vila ao monastério Benedictino de Sahagún, medida contestada pelo bispo de León, que recebe Reliegos de volta em 985, sob ordens do rei de Galícia e León Bermudo II. Ao longo dos séculos seguintes, Reliegos foi por várias vezes disputada por religiosos ou nobres.

Desde o início das peregrinações, Reliegos de las Matas – seu nome histórico – fez parte do traçado da rota jacobeia. Na segunda metade do século XX, após a guerra civil, foi marginalizada, despovoada e muitos de seus habitantes emigraram.