Você Sabia 27 – Mansilla de las Mulas – LEÓN – 325,5 Km de Santiago

Esta localidade junto ao rio Esla foi chamada Mansiella pelos romanos, quando por ali passava a Via Trajana, mas teve vários nomes: Mansiella del Ponte, Mansiella del Estola, Mansilla del Camino e Mansilla de las Mulas, este último em função de uma feira de animais que existia na vila.

A ponte de oito arcos foi construída no século XII, para atender ao fluxo crescente de peregrinos, e refeita em 1573. Da mesma época são as muralhas, que em alguns pontos atinge catorze metros de altura e três de largura, construída no período de repovoamento e Reconquista. Foi desfeita, em parte, assim como o castelo, por ordem de Fernando II, o Católico, para evitar sublevações contra a unidade que ele havia conseguido entre os reinos da Espanha. Haviam quatro portas na muralha, que davam acesso à Mansilla, destas, ainda resta o arco de Santa María, ou da Concepción. Sua visão ainda impressiona e dá ideia da importância militar como núcleo defensivo das cidades de Oviedo e León. Ainda podem ser vistas as ruinas do castelo, mais antigo que as muralhas.

A igreja de Santa María foi a primeira de Mansilla, até 1220, quando se construíram as igrejas de San Miguel, San Lorenzo, San Nicolás, San Juan y San Pedro, desaparecidas ao longo dos séculos. Seu atual edifício é do século XVIII, construído sobre a anterior, em estilo arquitetônico simples. O belo retábulo dourado do altar-mor é da mesma época, em estilo barroco. Numa das imagens – policromada – são representadas Santa Ana, a Virgem Maria e Jesus (três gerações), obra do século XVI.

A igreja de San Martín, hoje Casa de la Cultura, é do ano de 1220, em estilo gótico tardio, com detalhes de influência árabe. Foi ampliada nos séculos XVI e XVII e restaurada em 1990.

Em Mansilla de las Mulas se celebram as Jornadas Medievales, em data próxima ao dia de Santiago (25 de julho). Trata-se de uma réplica de um mercado medieval, onde se podem adquirir diferentes produtos artesanais típicos da Idade Média, admirar costumes, tradições, concertos musicais com instrumentos da época e representações teatrais, tais como a encenação do julgamento e queima de bruxas. O ponto alto são as Justas: cavaleiros que lutam em honra de sua dama ou da vila.

O povo, apegado às tradições, conta a história de um filho ilustre: Don Ponce, cavaleiro que foi lutar contra os mouros e foi por eles aprisionado. Sem notícias dele e crendo-o morto, sua esposa entrou para um convento e dedicou-se a cuidar dos peregrinos que por ali passavam. Muitos anos depois, ainda marcado pelo longo cativeiro, Don Ponce empreendeu uma peregrinação a Santiago de Compostela para agradecer sua liberdade. Ao passar por Mansilla, hospedou-se no hospital-albergue do convento Del Carrizo, onde eram tratados os peregrinos doentes ou exaustos da caminhada. À noite, num exercício de humildade, as monjas lavavam os pés dos peregrinos. Uma delas, com a cabeça coberta com véu, lavou os pés de Don Ponce e, estremecida, reconheceu o marido. Após a alegria do encontro, o cavaleiro completou sua peregrinação. Retornando, confirmaram seus votos matrimoniais e fundaram o mosteiro de Sandoval.

Villamoros – LEÓN – 321,5 Km de Santiago

Villamoros de Mansilla é uma vila pequena, cujo nome provém dos habitantes mouros da época da invasão muçulmana. Sua igreja de San Esteban é do século XVI. Em frente à igreja pode ser vista uma casa com brasão de família.

Próximo dali estão as ruínas de Lancia, cidade asturiana, posteriormente romanizada. Muito dela se perdeu por saques ao longo do tempo, porém, pelas fundações pode-se ter uma noção de sua grande importância até o século V e há quem diga que foi a precursora da cidade de León.

Puente de Villarente – LEÓN – 319,5 Km de Santiago

Antes de entrar no núcleo urbano se cruza uma estranha ponte em curva sobre o rio Porma. Puente de Villarente foi e é uma importante passagem do Caminho desde a Idade Média. Numa de suas praças há um belo monumento em homenagem aos peregrinos.

Arcahueja – LEÓN – 315,1 Km de Santiago

Antes de chegar à capital da Província, passa-se por Arcahueja, cuja proximidade com León leva à evasão de sua população mais jovem. Assim como em outros pequenos lugares espanhóis, também Arcahueja preocupa-se com o abandono progressivo e o desaparecimento de igrejas, ermidas e santuários e de seus objetos de arte religiosas ainda não catalogadas, que são parte do patrimônio da vila e de sua história.