Você Sabia 29 – Villadangos del Páramo – LEÓN – 287 Km de Santiago

Villadangos parece ter-se originado de um assentamos asturiano, conquistado pelos romanos. Na idade média, foi alvo de incursões muçulmanas e foi abandonada até o ano de 714. Por vontade dos reis de León, foi repovoada no final do século IX com pequenos grupos familiares.

Em Villadangos del Páramo houve, em 1111, um enfrentamento armado entre galegos partidários de Doña Urraca e aragoneses, partidários do rei Alfonso I, o Batalhador. Ambos disputavam o reino do príncipe Alfonso, filho de Doña Urraca e futuro rei Alfonso VII. O local do enfrentamento e o fato em si foram denominados de “La Matanza”.

Desde o ano de 1112 até 1580, o povoado foi concessão eclesiástica. Em 1788, o rei da Espanha Carlos III cria o título de Marques de Villadangos, que perdurou até 1837.

Seus habitantes se dedicaram à criação de ovelhas e cabras, até o surgimento da estrada de ferro, que trouxe à localidade indústrias e comércios e um progresso considerável. (Houve um retorno à agricultura e à criação de gado nos anos 1960, por conta da construção da represa de Barrios de Luna, cuja água é distribuída por uma rede de canais e valas).

Na igreja de Santiago há relevos alusivos às peregrinações e à batalha de Clavijo e a representação da aparição de São Tiago ao rei de Astúrias Ramiro I, antes de sua vitória sobre o rei mouro Abderraman II, na reconquista das terras tomadas pelos muçulmanos. Chama a atenção o belíssimo retábulo dourado, em estilo barroco, e a estátua equestre de Santiago guerreiro.

San Martín del Camino – LEÓN – 282,5 Km de Santiago

Por um bom tempo o peregrino continuará caminhando pela planície interminável e monótona, até chegar ao povoado de San Martín, lugar cuja única referência histórica é um pequeno albergue para peregrinos pobres, que funcionou até o século XVIII.

Puente y Hospital de Órbigo – LEÓN – 274,7 Km de Santiago

Puente de Órbigo criou-se, na idade média, em torno da igreja de Santa María, na margem esquerda do rio Órbigo. Seu nome provém de uma ponte original construída pelos romanos e ampliada nos séculos seguintes. Sua longa extensão – 19 arcos – tornou-se inútil depois da construção da barragem de Barrios de Luna, que controla as cheias do rio.

No final do século XVI, outro povoado surgiu na margem direita, junto ao antigo albergue de peregrinos fundado pela Orden de los Caballeros de San Juan de Jerusalén, e denominado Hospital de Órbigo. São, pois, dois povoados, separados pelo rio e unidos pela ponte.

A região foi palco de uma batalha entre tropas do rei godo Teodorico II e do rei suevo Requiário, cristão, no ano de 456. Embora Requiário tenha feito uma aliança com os godos, casando-se com a filha de Teodorico, a disputa pelo espólio da era romana os colocou em lados opostos. O rei suevo perdeu a batalha e foi executado. Dele restaram as moedas cunhadas em seu nome, o primeiro rei cristão a fazê-lo.

Crê-se que Almanzor, líder militar e religioso do califado de Córdoba, tenha atravessado a histórica ponte ao regressar de Santiago de Compostela, que destruiu no ano de 997. (Seu nome – al-Mansur – significa “O Vitorioso”, porque seu exército era implacável contra os cristãos, vencendo-os mesmo quando enfrentou a força coligada dos reinos de León, Castilha e Navarra. Assolou e saqueou Salamanca, Coimbra, León e Zamora e atacou Astorga, sem conquista-la. Morreu em Medinaceli em 1002, de enfermidade).

Em 1434, outro fato tornou-se notório, envolvendo romance, compromissos de honra e combates entre cavaleiros. Don Suero de Quiñones, um leonês apaixonado e desiludido, desafiou por um mês a todo o cavaleiro que tentava transitar pela ponte para um torneio entre ele e nove de seus homens, contra o desafiado e igual número de auxiliares. Terminado o mês, com apenas uma morte acidental, todos os cavaleiros continuaram sua peregrinação a Santiago de Compostela, onde Don Suero doou ao Apóstolo um bracelete de ouro recebido com juras de amor da dama outrora amada.

No século XIX, os habitantes de Hospital de Órbigo destruíram as cabeceiras da ponte para impedir o avanço das tropas do exército de Napoleão.

Seguem-se três povoados dos quais pouco há o que dizer: Villares de Órbigo, Santibañes de Valdeiglesias – de onde já se podem ver as torres da Catedral de Astorga – e San Justo de la Vega.