Você Sabia 31 – Rabanal del Camino – LEÓN – 237,9 Km de Santiago

Rabanal é um exemplo de povoado ressuscitado pelo Caminho. À época medieval, havia ali muitos albergues e igrejas que ofereciam descanso aos peregrinos antes que enfrentassem o acesso ao monte Irago e os perigos dos quais os Cavaleiros Templários de Ponferrada os protegiam. Após séculos de decadência, Rabanal também ressurgiu com a nova onda de peregrinação a Santiago de Compostela.

Suas casas e casarões em pedra são do mesmo estilo maragato, característico da região. Assim é sua igreja de Santa María, de características românicas; embora pequena, pertenceu à Orden del Templo. Destacam-se também as ermidas de San José, do século XVIII e a de Bendito Cristo. Em 2001, fundou-se ali a abadia beneditina de San Salvador del Monte Irago, onde, ao final da tarde, os monges cantam as Vésperas, em estilo gregoriano.

Foncebadón – LEÓN – 232,2 Km de Santiago

Foncebadón foi despovoado no final dos anos 1960, quando seus habitantes migraram em busca de novas oportunidades e poucos deles restaram. Muitas de suas casas ruíram ou foram saqueadas e o lugar passou a ser visto como mal-assombrado.

Mas o povoado já teve dias melhores. No ano de 946, por solicitação do bispo Salomón, o rei de León Ramiro II convocou o Concílio del Monte Irago, sediado no Monastério de Foncebadón, ao qual todos os bispos da Espanha livre compareceram. (Naquele tempo o sul do país estava tomado pelos mouros). Poucos anos depois, Foncebadón foi delimitada pelo rei de León Alfonso IV, o Monge, que conferiu ao lugar foro privilegiado e concedeu ao monge Gaucelmo permissão de construir ali um albergue para os peregrinos. Em 1180, o rei de León Fernando II entregou aos monges de Foncebadón a hospedaria de San Juan de Irago.

Tendo sido, desde sempre, parte do traçado original do Caminho, foi novamente a peregrinação que deu nova vida ao povoado. Em data mais recente, Foncebadón voltou a crescer, seja pelo retorno de antigos moradores, seja por investimento de novos proprietários que ali fazem suas casas de campo e veraneio.

La Cruz de Hierro – LEÓN – 230,3 Km de Santiago

Este é o ponto mais alto do caminho Francês: 1.482 metros. La Cruz de Hierro é um monumento santiaguista ao mesmo tempo singelo e icônico. Um dos muitos mitos do Caminho diz que a atual cruz substituiu a primitiva, instalada pelo próprio monge Gaucelmo, talvez sobre um altar romano dedicado a Mercúrio, deus dos caminhos. É, depois da própria catedral de Santiago, a referência mais importante para os peregrinos, que têm o costume depositarem uma pequena pedra – às vezes trazida de seus países – na base da cruz, num significativo ritual de desapego, de pedido por graça, de agradecimento, ou de qualquer outra razão pela qual vieram ao Caminho. (Ao lado, há uma aprazível área de descanso).

Monjarín – LEÓN – 228,1 Km de Santiago

Em Monjarín, da qual restam poucas ruinas, existia uma mina explorada pelos romanos. Como já havia feito em Foncedabón, o monge Gaucelmo construiu ali um albergue de peregrinos, em torno do qual formou-se uma vila agrícola de subsistência, criação de gado e comércio para atender aos viajantes e peregrinos. Despovoou-se em meados do século XX. Monjarín, tornou-se um ponto de referência no Caminho, quando Tomás Martínes de Paz, instalou-se ali, em 1993, construindo e mantendo um rústico e exótico albergue, feito com pedras encontradas no local e madeiras reaproveitadas. Nem banheiro tem o que ele chama de ‘Una luz en el Camino’. Contudo, Tomás – que se autodenomina ‘El Último Caballero Templário’ -, em sua simplicidade, sempre tem algo a oferecer aos peregrinos de passagem ou a seus hóspedes, seja um toque de sino, dando a direção em meio à neblina, uma palavra de conforto, um biscoito ou um café quente e forte. Muitos o admiram, outros o ignoram e há os que o ridicularizam. Contudo, tanto ele – Tomás de Monjarín – quanto Felisa, ‘la de los higos (figos), agua fresca y amor’, entre Viana e Logroño e Pablito, ‘el de las varas’ (cajados), em Azqueta, tem seu nome inscrito na memória de quem os conheceu.

El Acebo – LEÓN – 221,2 Km de Santiago

El Acebo – o nome provém de um arbusto – é o primeiro dos povoados da comarca de El Bierzo. É um lugar encantador, com casas construídas em pedra e telhados de ardósia e balcões de madeira. Na Idade Média, seus moradores eram isentos de tributo em troca de manter o Caminho limpo, seguro e sinalizado. Ainda hoje vive de prestar serviços aos peregrinos. No inverno fica quase despovoado.