Você Sabia 32 – Riego de Ambrós – LEÓN – 217,5 Km de Santiago

Quando seu senhor feudal, procedente de Ambroce, alí se estabeleceu, no século XII, o povoado passou a chamar-se Riego de Ambróz. Seu primeiro albergue foi destruído por um incêndio, no século XVIII. Além da ermida de San Fabián e San Sebastian, há no povoado uma igreja, do século XVI, dedicada à Santa María Magdalena, personagem bíblico controverso, ora apresentada como prostituta arrependida, ora como a mulher que lavou os pés de Jesus com óleos aromáticos e os secou com os próprios cabelos, ora como discípula dele e que o beijava na boca – de acordo com o evangelho de Felipe –, ora a que estava presente na crucificação.

Molinaseca – LEÓN – 213,2 Km de Santiago

À entrada da cidade está o Santuário de las Angustinas, ou de Nuestra Señora de las Angustias, cujas portas foram revestidas de ferro porque os caminhantes costumavam arrancar lascas de madeira como recordação. O Santuário já existia no século XI, ainda que tenha sido reconstruído em 1512, após um incêndio. Em seu interior pode-se ver uma imagem da Virgen de las Angustias, uma ‘Pietá’ em madeira sobre um majestoso trono neoclássico. Seu aspecto atual é de 1705.

Chega-se a Molinaseca ao atravessar a Puente de los Peregrinos, de construção em estilo romano sobre o rio Meruelo. Na Idade Média respondia diretamente à autoridade do rei de León Alfonso VI, o Bravo. Seu primeiro senhor feudal foi o conde Ramiro Froilaz, sobrinho de Rodrigo Díaz de Vivar, El Cid Campeador.  Suas primeiras ermidas são do século XI: Santa Marina e San Roque. Seu centro histórico termina ao chegar-se a um antigo cruzeiro de pedra, símbolo da tradição jacobeia.

Ponferrada – LEÓN – 205,2 Km de Santiago

Embora existam indícios de povoamentos tanto no Período Neolítico como na Idade do Ferro, foi a partir da ocupação romana que se estabeleceu no local uma importante fortificação, em defesa do território e para proteger as minas de ouro que exploravam. É de 1082 o primeiro registro histórico relativo a Ponferrada: o bispo Osmundo, de Astorga, ordenou a construção de uma ponte sobre o rio Sil, para que os peregrinos de Santiago passassem em segurança.

Poucos anos após, em 1086, foi construída a igreja de San Pedro, em torno da qual formou-se La Puebla de San Pedro, nome logo substituído por Ponte Ferrato, hoje Ponferrada, denominação dada à passagem, pois a ponte de madeira original era reforçada com grampos e tirantes de ferro, mineral também abundante na região.

Em troca de seu engajamento na luta contra os muçulmanos, o rei de León Fernando II doou à Orden de los Caballeros del Templo, em 1178, um amplo território onde construíram o Castillo del Templo. Sua função era dar proteção aos peregrinos, comerciantes e autoridades civis, militares e eclesiásticas em trânsito pela região ou rumo a Santiago de Compostela.

O Castillo del Templo é um criptograma em pedra, tal o número de símbolos, sinais e vinculações astronômicas, que o fazem ser procurados por admiradores dos templários para rituais de iniciação. Durante sua construção, o cavaleiro que coordenava o corte das árvores, que seriam usadas no vigamento do castelo, foi surpreendido por uma estranha luz que emanava do interior de uma azinheira. Ao investigar o fenômeno, encontrou uma pequena imagem de Nossa Senhora. Sem tocá-la, deu notícia aos seus superiores, que decidiram manter segredo sobre o achado, até que construíssem um santuário para guardá-lo. Aos templários foi revelado que a Virgem havia sido esculpida por São Lucas e trazida de Jerusalém por São Turíbio de Liébana. A imagem ficou sendo conhecida como La Virgen de la Encina (azinheira) e, por seus inúmeros milagres, tornou-se a padroeira da comarca de El Bierzo.

No ano de 1180, o mesmo Fernando II concede a Ponferrada foro de vila. Durante os séculos XIII e XIV, já amuralhada, começa a crescer e desenvolver-se, atraindo agricultores, comerciantes e artesãos. Apenas cristãos podiam morar no interior das muralhas da vila, que tinha quatro entradas: El cristo, Paraisín, Las Nieves e Las Eras; a comunidade judaica foi assentada do lado de fora.

Com a dissolução da Orden de los Caballeros Templários, em 1312, a vila passou a pertencer à família Osorio, o conde de Lemos, até ser reclamada pelos reis Católicos Isabel I e Fernando II, no século XVI.

Contudo, a tradição local ainda mantém a Noche Templária, celebrada por ocasião da primeira lua cheia de julho, na qual é recriado um acontecimento medieval cheio de fantasia. Trata-se da representação de como Frey Guido de Guarda, mestre da Ordem, volta à cidade de Ponferrada para selar um pacto de eterna amizade e entregar-lhe em custódia a sagrada Arca da Aliança e o Santo Graal, trazidos da Terra Santa. Os Cavaleiros Templários são recebidos por milhares de pessoas vestidas à moda medieval, formando uma só comitiva em direção ao castelo.

Ponferrada é cercada de igrejas de grande valor histórico e artístico. A atual basílica de La Encina, de estilo renascentista, cujas obras iniciaram em 1572, foi construída sobe a igreja antiga. Sua torre foi concluída em 1614.

Juntamente com Villafranca del Bierzo, Ponferrada é a última grande concentração urbana antes de Santiago de Compostela.

Cacabelos – LEÓN – 189,6 Km de Santiago

Deixando Ponferrada, o peregrino passa por pequenos e inexpressivos povoados – Columbrianos, Fuentes Nuevas e Camponaraya –, antes de chegar a Cacabelos.

Vários artefatos neolíticos e da Idade do Bronze, abundantes aldeias fortificadas e antigas explorações auríferas são os testemunhos materiais de uma população que tinha já certa importância na época pré-romana.

Historiadores romanos relatam guerras contra os asturianos, antigos ocupantes da região, nos anos de 25 a 19 a.C. O Castro Berguidum ou Castro de la Ventosa, aponta para a localização da primitiva cidade celta de Berguidum, à qual davam duas importantes estradas vindas de outras direções. Os romanos fundaram a cidade de Berguidum Flavium, onde hoje é Cacabelos, fazendo dela o centro administrativo das minas de ouro que exploravam em El Bierzo.

Com a queda do Império Romano, em 476, os suevos assentaram-se à noroeste. Um século depois, os visigodos anexaram a região, a tornaram parte da diocese de Astorga e imprimem moeda própria, demonstrando sua autonomia. No início do século VIII, tornou-se um ponto de resistência às investidas muçulmanas; porém, em consequência das seguidas escaramuças, entrou em decadência.

O nome Cacabelos é mencionado pela primeira vez no século X, como doação da vila pelo rei de Galícia e León Bermudo II ao monastério de Carracedo. O povoado cresceu de forma ininterrupta na Idade Média, como testemunham suas igrejas (Santa María de la Plaza, Santa María de la Edrada y Santa María Circa Pontem) e hospitais-albergues (San Lázaro, Santiago, Santa Catalina, Alfonso Cabirto, Inés Domínguez). Um novo incentivo ao seu crescimento foi a concessão pelo rei de León y Castilla Sancho IV, em 1291, de uma feira anual de quinze dias de duração, celebrada na festa de La Cruz de Mayo. No mesmo século XIII, é construído o monastério de San Guillermo, de monjas cistercienses. Em 1809, durante a Guerra da Independência, ingleses e franceses enfrentaram-se na pequena localidade, tendo morrido o general francês Colbert.

Ao final do século XIX, uma praga destruiu os vinhedos de Cacabelos e fez a cidadezinha esvaziar-se. Porém, anos após, com enxertia de cepas importadas, a indústria vinícola recuperou-se e tornou-se sua principal atividade econômica.

À saída de Cacabelos situa-se o santuário de La Virgen de las Angustias, de fachada barroca, onde se conserva uma imagem de Jesus Menino jogando cartas com Santo Antônio de Pádua.