Você Sabia 35 – Samos – LUGO – 127,3 Km de Santiago

Dobrando à esquerda, logo ao atravessar o rio Oribio, seguindo as setas amarelas, chega-se a Samos, passando por trilhas de grande beleza. A pequena cidade é vista de cima, chamando a atenção o conjunto que compõe o monastério San Julián de Samos, cuja fundação é atribuída a San Martino de Dume, cuja primeira menção histórica se fez no ano de 665, sendo um dos mais antigos da Espanha. Foi abandonado durante a invasão muçulmana e reconquistado em 760 pelo rei das Astúrias Fruela I. Quando, anos mais tarde, este foi assassinado, sua viúva e seu filho, o futuro Afonso II, o Casto, refugiaram-se no monastério, ganhando com isto a proteção real. No início do século X, o bispo de Lugo, Don Erro, expulsou os monges e assumiu seu controle. A pedido do rei de León Ordoño II, foi reocupado pelos beneditinos, que dois séculos após, somaram-se à reforma de Cluny. Durante a Idade Média, o monastério de Samos desfrutou de grande importância e posses. Também os monges de Samos foram atingidos pela Desamortización de Mendizábal e foram expulsos, retornando em 1880, porém sem direito às terras que até então possuíram.

A construção original teve expressivos acréscimos ao longo dos séculos, mesclando os estilos renascentista e barroco, como ainda hoje podem ser apreciados, bem como alguns resquícios da arquitetura original, de influência gótica. Seu interior tem a simplicidade exigida pela vida dedicada à contemplação e à cultura.

O monastério conta com dois claustros. O claustro maior, do século XVII, é mais austero e simples e as paredes do andar superior são decoradas com cenas da vida de San Benito. Um menor, foi construído em 1539, em estilo gótico, cujo centro é uma fonte barroca, a Fuente de las Nereidas, que já foi fonte de discórdia. Seu aspecto de serpente marinha e com enormes seios à mostra desagradou a um superior provincial que ordenou que fosse retirado do claustro. Os monges desmontaram a fonte com cuidado, sabendo tratar-se de uma obra de arte. Porém, ao tentarem transportar as partes para seu novo lugar, estas aumentaram de tal forma seu peso que se tornou impossível removê-las. Vencidos, os monges decidiram reconstruir a fonte no exato lugar em que estava, ou seja, no centro do claustro menor. Surpreendentemente, as peças voltaram a seu peso normal e deixaram-se encaixar e cimentar.

Sua igreja em estilo barroco foi construída em 1734; tem planta em cruz latina e três naves, que lhe dão um interior luminoso e solene. Sua abóboda é imponente, de traços simples e vigorosos, é uma verdadeira obra de arte, assim como o belo retábulo do altar-mor. É impossível descrever os detalhes de sua harmoniosa fachada barroca, cuja escadaria de acesso, faz lembrar a da catedral de Santiago de Compostela.

Sua importante biblioteca desapareceu num incêndio, em 1951, que atingiu grande parte do prédio.

Sarria – LUGO – 115,6 Km de Santiago

Se à saída de Triacastela, o peregrino optar pelo caminho da direita, chegará a Sarria, após passar por minúsculas aldeias rurais dedicadas à criação de gado: Balsa, San Xil, Alto de Riocabo, Furela e Calvor.

No ano de 785 foi fundado o monastério de Santo Estevo de Calvor e, não muito depois, a localidade se consolida como Condado de Sarria. Passagem obrigatória para os peregrinos, atraiu instituições assistenciais como Los Madalenos e Templários. Ao final do século XII, por ordem do rei de León Alfonso IX, se funda Vilanova de Sarria, com foro de vila real, onde ele próprio morreria em 1230.

Cinquenta anos após – 1280 – Sarria contava com duas igrejas: San Salvador e Santa Marina; um monastério: La Madalena e duas ermidas. Em 1360, o rei de Castilla Pedro I, o Cruel, converte a cidade em feudo e a concede a Don Fernando de Castro, com caráter hereditário.

A Revolta Irmandina, iniciada em 1467 por campesinos galegos, destruiu fortalezas e castelos na região e por três anos aterrorizou os senhores feudais, até que foi debelada e os revoltosos punidos. Em 1503, outro Don Fernando de Castro é nomeado Marquês de Sarria pelos Reis Católicos Fernando e Isabel.

Sarria entrou em decadência no mesmo ritmo em que decaía a peregrinação a Santiago de Compostela e voltou a sofrer com a invasão das tropas francesas, no século XIX, como ocorreu em muitas outras cidades espanholas, com saques e destruição de patrimônio e sequestro de gado e grãos.

A Desamortización de Mendizábal extinguiu a vida comunitária do monastério de La Madalena, subtraindo-lhe as rendas e propriedades, que foram adquiridas pela burguesia emergente. Com a construção de rodovias e ferrovias, em meados do século XIX, houve um novo impulso ao desenvolvimento de Sarria, como polo comercial, em detrimento do agronegócio.

Barbadelo – LUGO – 111,3 Km de Santiago

Barbadelo já foi conhecida por Monastério. Sua igreja, dedicada a Santiago, foi construída na segunda metade do século XII, como parte de um monastério que deu o antigo nome à localidade. Seu projeto original – românico – foi alterado através dos séculos, sendo que sua abside foi substituída por uma torre de base quadrada à qual está anexa a sacristia. Os arcos que emolduram as portas das fachadas norte e oeste e seus respectivos capitéis mostram uma sofisticada simbologia: retratam figuras entalhadas de animais e pessoas cuja interpretação é desconhecida. Sobre a porta oeste, um entalhe mostra uma figura humana com os braços abertos, podendo ser em oração ou em acolhida. Do conjunto só resta a igreja.

Logo adiante, está Brea, povoado minúsculo, cuja atração é uma pequena e simples ermida onde os peregrinos deixam mensagens. Tem o mesmo estilo despojado das muitas outras ermidas e capelas votivas da Idade Média, construídas ao longo do Caminho.

Ferreiros – LUGO – 102,4 Km de Santiago

Como indica seu nome, a localidade era um assentamento de ferreiros que prestavam serviços aos caminhantes: ferraduras, arreios, aros metálicos para rodas de carroças e carruagens, confecção ou conserto de armas, etc. Sua igreja é modesta, mas com um interessante pórtico românico.

O povoado de As Rosas está na marca dos 100 quilômetros finais do Caminho, trazendo alento aos peregrinos, tornando seus passos mais ágeis e o espírito mais exultante.

Pouco maior que os povoados anteriores, Vilachá tem uma igreja construída no século XVIII, dedicada a San Mamede de Vilachá, cujo acesso ao campanário se faz por uma escadaria externa.

Num povoado logo ao lado – Loio –, em 1164, doze cavaleiros juraram proteger os peregrinos dos ataques muçulmanos, dando início à Ordem de Cáceres, tendo a denominação sido alterada para Ordem dos Cavaleiros de Santiago em 1170, quando, após encontro com o arcebispo de Santiago de Compostela, colocaram-se sob a vassalagem do Apóstolo Tiago.