Você Sabia 36 – Portomarín – LUGO – 93,2 Km de Santiago

Portomarín já se anuncia três quilômetros antes, quando é possível vê-la do alto da montanha, ainda em Vilachá.

A pequena cidade nasceu e cresceu às margens do rio Miño, ao lado de uma ponte construída durante a ocupação romana. Desde tempos imemoriais, crê-se que o Minõ é um rio encantado por feiticeiras e homens anfíbios e que os navegantes deveriam levar uma pedra em suas bocas para evitar que falassem e atraíssem as feiticeiras. A isso os romanos acrescentaram a crença de que a névoa sobre o rio encobria o abismo sem fim, no qual terminavam suas águas, o temido ‘finis terrae’.

Em 1212, a Orden de San Juan de Jerusalén outorgou a Portomarín foro de autogestão.

Em 1962, foi construída a represa de Belesar e cidade foi recriada no alto da montanha. Apenas poucos de seus antigos prédios foram transladados da cidade antiga, os mais importantes do ponto de vista civil e religioso.

Sua sóbria e sólida igreja-fortaleza, dedicada a San Nicolás, foi construída no século XII às margens do Miño e reedificada, pedra por pedra, no centro da nova cidade. Seu estilo situa-se entre o românico e o gótico e a rosácea de sua fachada lhe dá ares de imponência, porém seu interior é despojado e solene.

Quando baixa o nível da água da represa, ainda podem ser vistas as antigas edificações, o molhe e a ponte primitiva, resultando numa visão sombria e deprimente.

Castromaior – LUGO – 84 Km de Santiago

Chega-se a Gonzar após andar oito quilômetros; é um povoado esparso e inexpressivo. Igualmente pequeno é Castromaior, que deve seu nome a uma fortificação situada antes e à direita do povoado. As bases da primeira construção datam da Idade do Ferro – 1200 a.C. O local foi utilizado por diversos grupos humanos, provavelmente até o século I da era cristã. Soterrada e esquecida durante séculos, sua conservação permite que se estude os modelos construtivos castrenses: o sistema defensivo conta com fossos, muralhas e uma entrada fortificada; seu interior contém várias construções bem definidas, cada qual destinada a um uso.

Seguem-se os povoados de Hospital de la Cruz (em referência a um antigo hospital-albergue de peregrinos), Ventas de Narón (logo adiante encontra-se o cruzeiro de Lameiros, erguido em 1670, tendo de um lado Cristo crucificado e de outro a Virgem com o Menino), Ligonde (onde há um cemitério de peregrinos, que era anexo ao albergue mantido pela Orden de Santiago), Airexe e Avenostre. Mesmo que sejam pequenos, estes povoados têm seu encanto: igrejas e casarões muito antigos, pontes de pedra e belas paisagens.

Palas de Rei – LUGO – 68,1 Km de Santiago

Pela pequena cidade passava a Lucus Augusti, uma das vias romanas que lhe deu vida e a fez prosperar. Segundo a tradição, seu nome deriva de ‘Pallatium Regis’, em referência ao palácio do rei visigodo Witiza, que reinou entre os anos 702 e 710. Seu patrimônio arquitetônico reflete sua importância na Idade Média.

Uma de suas principais referências é a igreja de Vilar de Donas, de estilo românico-galego, construída no século XII; as pinturas murais em seu interior formam um dos conjuntos mais destacados e melhor conservados da Galícia. A igreja está vinculada às Ordens de Los Caballeros de Santiago e de Los Caballeros Templários, sendo que nela foram enterrados vários representantes dessas Ordens.

O Castillo de Pambre – fortificação do século XIV, que visava a dar proteção aos peregrinos -, um dos poucos exemplos de arquitetura medieval galega. Com a Reforma Protestante e o consequente declínio das peregrinações a Santiago de Compostela, o castelo perde sua principal função e passa a ser apenas moradia do feudatário.