Você sabia 6 – Cizur Menor – NAVARRA – 699,9 Km de Santiago

6 – Cizur Menor – NAVARRA – 699,9 Km de Santiago

Cizur Menor é hoje um bairro anexo a Pamplona. Sua igreja românica, do século XII, dedicada a San Miguel Arcángel, já fez parte de um conjunto que incluía um monastério e um hospital-albergue de peregrinos administrado pela Orden de San Juan de Jerusalén. Do mesmo século XII e igualmente de estilo românico é a igreja paroquial de San Emetério e San Caledonio.

Zuriquiegui – NAVARRA – 693,8 Km de Santiago

A igreja de San Andrés foi construída no século XIII, em estilo românico. O retábulo do altar-mor é do século XVII. Adiante está a fonte de La Teja ou da Renegação, onde, segundo a lenda, o demônio tentava os caminhantes oferecendo-lhes água em troca de que renegassem sua fé.

Alto del Perdón – NAVARRA – 691,3 Km de Santiago

Apesar de sua fama, o Alto del Perdón não é um desafio difícil. Ao longe já se ouve o atrito do vento nas pás dos geradores eólicos instalados no Alto, junto ao belo e sugestivo monumento ao peregrino – erguido pela Associação dos Amigos do Caminho de Navarra. Olhando para trás, pode-se fazer uma avaliação do quanto andou até o momento: os cumes pirenaicos, o alto de Erro, o vale do rio Arga. Admirar a paisagem, cujo horizonte – ao longe – é sempre limitado por outras montanhas, algumas ainda envoltas por névoa, faz bem aos olhos e ao espírito.

Ali já houve, antigamente, uma hospedaria de peregrinos e, até há pouco, uma ermida dedicada à Virgen del Perdón. A inscrição no monumento não pode ser mais explícita: “Onde se cruza o Caminho do Vento com o das Estrelas”.

Um dia – conta a lenda – um peregrino chegou ao topo do Alto del Perdón cansado, faminto e sedento. Ainda ofegante, pôs-se a procurar alguma fonte para, pelo menos, minorar a sede. Logo deu-se conta de que havia alguém a observá-lo. Dirigindo-se ao desconhecido falou de sua aflição. Em resposta, o desconhecido afirmou saber onde havia uma fonte, mas que a água tinha um preço: que desistisse de completar a peregrinação. Já sabendo que era o demônio em pessoa que o tentava, o peregrino manteve-se firme em seu propósito, dizendo que preferia morrer de fome e sede a interromper sua caminhada sagrada. O demônio o abandonou à própria sorte. O peregrino acomodou-se como pode à sombra de uma rocha, certo de que a morte seria sua próxima visita. Adormeceu. Em sonho apareceu-lhe um cavaleiro montado em um cavalo branco que escavou na rocha com uma concha, fazendo fluir água pura e cristalina. Ao acordar, viu que realmente a fonte existia e dela bebeu. Assim como reconheceu o demônio, reconheceu Santiago com que sonhou. Agradecido, ajoelhou-se e fez uma prece. E seguiu feliz rumo ao oeste, para concluir sua peregrinação. A fonte chama-se ‘Fuente Reniega’.

Muruzábal – NAVARRA – 685,1 Km de Santiago

Depois de passar por Uterga – povoado de robustos casarões de pedra, que já viu dias melhores -, chega-se a Muruzábal. O edifício mais representativo do povoado, o palácio do Marquês, edificado no século XVII, atualmente é uma vinícola.

A igreja de San Esteban, do século XVII, que mescla os estilos gótico e barroco, tem um magnífico pórtico de três arcadas. O retábulo do altar-mor é barroco e exibe várias imagens em madeira entalhadas dos séculos XIV e XVI.

Quem vem de Roncesvalles pode desviar-se para a rota do Caminho Aragonês para visitar a ermida de Santa Maria de Eunate, a três quilômetros de Muruzábal. Solitária em meio ao campo, atrativa por sua forma octogonal, Eunate foi erguida no século XII pelos templários.

Ao Sol – sendo ele a única testemunha viva da história e das lendas que envolvem a ermida – e isolada de quaisquer referências atuais, sua contemplação conduz a um mundo imaginário de cavaleiros medievais e suas façanhas de romance, luta e fé. Em um dia cinzento, quando a névoa envolve a planície navarra, Eunate é capaz de deixar gelado o ânimo mais tranquilo.

A obra é puro simbolismo, encerrando um octógono – a ermida –  dentro de outro – o muro. Nela destaca-se a abóbada de oito nervuras sem apoio central e seu grande espaço interior é cheio de simetrias. A imagem de Santa María de Eunate, que se vê sobre um pedestal atrás do altar, é uma réplica da imagem românica original, do século XIII, que foi roubada. (Muitos povoados e pequenas cidades ao longo do Caminho trancam suas igrejas com receio dos ladrões de imagens sacras, suprimindo ao peregrino a visão de obras antigas e de grande valor artístico, histórico e religioso. Guardar as chaves de igrejas e capelas é uma honra, da mesma forma que é mostra-las aos que respondem ao repicar dos sinos chamando fiéis para a oração ou missa. Ou que, persistentes, procuram pelos guardiães das chaves, suplicando-lhes uma visita).

Escavações realizadas no entorno da ermida, revelaram sepulcros com conchas junto aos corpos, dando conta de tratarem-se de peregrinos de épocas há muito passadas.