Você Sabia 7 – Óbanos – NAVARRA – 683,3 Km de Santiago

7 – Óbanos – NAVARRA – 683,3 Km de Santiago

Localidade de importância histórica, como deduz o peregrino ao passar entre os palacetes e ruas que a conformam. Óbanos é conhecida como Villa de los Infanzones, já que nela se reuniu, em 1327, a pequena e média nobreza para frear os abusos da coroa e estabelecer um poder alternativo. Apoiavam Óbanos quatro outras comarcas: Miluce, Arteaga, Irache e La Ribera. O movimento foi dissolvido pelos reis Juana II e Felipe de Évreux.

A cada ano, no verão, “El Mistério de Óbanos” é dramatizado na cidade. Trata-se da história dos irmãos Felícia e Guillermo, duque de Aquitânia. Ainda que os personagens sejam reais, o que restou é lenda. A jovem e bela Felícia, aos 17 anos, decidiu peregrinar a Santiago de Compostela, mesmo contra a vontade de seus pais. Quando ela e seu séquito puseram-se a Caminho, Felícia tomou contato com milhares de peregrinos famintos, doentes e aleijados em busca da redenção de seus pecados. Penalizada, dedicou-se a alimentar os famintos e a cuidar dos doentes. Estas ações caridosas a fizeram tomar uma decisão extrema: dedicar-se ao Caminho e aos peregrinos menos afortunados e tornar-se eremita, estabelecendo-se próximo de Óbanos. A mando do pai, Guillermo fez o que pode para convencer a irmã a retornar à casa dos pais. Diante das insistentes negativas, num acesso de raiva incontrolável, ele a matou com um punhal. Caindo em si, Guillermo foi a Roma pedir perdão ao papa, que como penitência impôs-lhe a peregrinação a Santiago de Compostela. Na volta, assumiu a obra da irmã na mesma ermida que ela havia construído e da qual ainda sobram alguns restos, à saída de Óbanos. O corpo de Santa Felícia está em Labiano, próximo de Pamplona; seu irmão Guillermo jaz na Ermida de Santa María de Arnoteguí.

 Puente la Reina (ou Gares) – NAVARRA – 681 Km de Santiago

Na localidade de Mendigorria, próxima de Puente la Reina, ainda há ruinas da cidade romana de Andelos. Porém, há indícios de que a região foi habitada desde épocas remotas.

No início do século XI, sob o patrocínio da rainha Munia – esposa de Sancho III, rei de Navarra -, foi construída a bela ponte de seis arcos para facilitar o trânsito de peregrinos sobre o rio Arga, vindos dos caminhos francês e aragonês, com destino a Santiago de Compostela.

A cidade teve origem no final do século XI, período de lutas entre os reinos de Pamplona e de Castilla e de ambos contra os invasores muçulmanos. Por ser necessário povoar todos os espaços, o rei de Astúrias Alfonso I, o Batalhador, convidou migrantes francos para estabelecerem-se às margens do rio Arga. O mesmo rei deixou de herança à Ordem dos Templários todos seus territórios. Por não aceitar este testamento, Navarra separou-se do reino de Astúrias e coroou rei Garcia Ramirez, o Restaurador. O rei basco doa aos Templários a localidade de Murugarren, até a extinção da Ordem, em 1312.

Puente la Reina é uma das localidades mais emblemáticas do Caminho, em Navarra, além de ser um perfeito exemplo de povoado nascido por e para a rota de Santiago. Nela, entre casarões de nobreza e pedras centenárias, é fácil sentir-se peregrino.

A igreja Del Crucifijo foi erguida pelos templários e conserva em seu interior um crucifixo em estilo gótico, do século XIII, uma das imagens mais icônicas do Caminho. A Cruz em Y é feita de uma árvore não trabalhada, sugerindo a redenção da árvore do fruto proibido do Paraíso. O corpo pendurado e retorcido de Jesus e seu braços desproporcionais falam do sofrimento da tortura imposta. Corre a história de que, no início do século XIV, peregrinos alemães, no retorno de Santiago de Compostela, doaram o crucifixo em agradecimento pelos cuidados que um dos seus recebeu quando adoeceu e teve de permanecer em Puente la Reina, enquanto seus amigos seguiam em peregrinação.

A igreja paroquial de Santiago, do século XII, contém em seu interior belos entalhes em madeira de Santiago, el Mayor, e da Virgen del Rosário. A imagem de San Bartolomé foi esculpida em pedra. O retábulo é de estilo barroco.

A igreja de San Pedro guarda o entalhe da Virgen del Txori, antigamente venerada um nicho da ponte românica. Conta-se que de tempos em tempos um txori (tipo de pássaro) limpava a face da Virgem com seu bico; sua chegada se convertia em motivo de feriado e festejos no povoado.

Rodeando o centro histórico, pode-se observar a muralha medieval guarnecida com torreões. Do palácio real de La Grana, onde reis da dinastia Évreux passavam temporadas, só restam ruinas.

A bela ponte medieval sobre o rio Arga, vaidosa e imperturbável, franqueou passagem à conturbada história espanhola. O rio, manso e claro, aqui reflete a ponte, ali, a vila, além, a mata, como um espelho líquido e inconstante, a buscar sempre a próxima imagem, ao longo de seu curso, tal qual o fazem as águas peregrinas a rolar no leito do Caminho-rio.