Cônsul Espanhol no VIII ENAP

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O Cônsul Geral do Consulado da Espanha em Porto Alegre, Dr. José Pablo Alzina, participou ativamente do VIII ENAP, em Caxias do Sul.

Interagiu com os peregrinos, nas diversas atividades do encontro, incluindo caminhada, assim como proferiu palestra com conteúdo interessante aos peregrinos, citando inclusive, o livro Olhar Peregrino editado pela ACACSC, assim como textos de associados.

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Abaixo segue transcrita a intervenção do cônsul geral, Dr. José Pablo Alzina, na primeira palestra do VIII Encontro Nacional de Peregrinos do Caminho de Santiago no Hotel Samuara, em Caxias do Sul (21-24 avril de 2016), no dia 22 de abril.

Prezado presidente Brasilio e amigos da Acasargs e da Acacsc e de todas as outras associações brasileiras do Caminho de Santiago,

Estimados Carmen e Manuel, recién llegados de España,

Prezados peregrinos,

Senhor Santiago, lá acima,

Agradeço muito a Acasargs por organizar este maravilhoso encontro de peregrinos brasileiros do Caminho de Santiago. Sobretudo, agradeço ao Senhor Santiago que chamou a cada um de nós a esta reunião em terras gaúchas da região Sul do Brasil; e agradeço a vocês que responderam com outro sim generoso. Agradeço de coração a todos esta oportunidade para falar da importância do Caminho nas atividades consulares.

Primeiramente lhes lembrarei o que é um consulado.

Os consulados são fundamentalmente uma extensão física, uma janela para o público, das administrações públicas de um país no território de outro pais. Seu âmbito de atuação se chama jurisdição consular e pode ser todo um país ou parte de um país. A Espanha tem no Brasil quatro consulados gerais: Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e este de Porto Alegre; também tem uma secção consular na embaixada em Brasília e vários consulados honorários, um deles lá na fronteira, em Bagé.

A jurisdição consular do consulado geral da Espanha em Porto Alegre inclui parte da Região Sul, especificamente Santa Catarina e Rio Grande do Sul. E um consulado pequeno que exerce seu trabalho ininterruptamente desde 1924, mas desde o final do século XIX já havia uma rede de consulados honorários da Espanha na região.

O consulado tem quatro guichês para atender o público: dois no escritório da Carlos Gomes 222, que atende entre 7 e 8 mil visitas ao ano; outro na Internet, que responde a mais de 4 mil e-mails ao ano; e outro na WEB, com uma página que registra cerca de 100 mil visitas anuais.

Os consulados estão encarregados especialmente de prestar assistência e proteção aos seus nacionais no exterior. Servimos a mais ou menos 6.000 dos 127 mil espanhóis que moram no Brasil segundo os registros dos consulados. Nesse sentido, o Caminho também interessa aos meus colegas brasileiros na Espanha, que são os que ajudam e protegem os brasileiros no meu país. O número de peregrinos brasileiros no Caminho está dobrando a cada 5 anos; de acordo com dados da Igreja Católica: em 2005 foram 1.163; em 2010 foram quase o dobro: 2.121; e em  2015 somaram 3.934, outra vez quase o dobro.

Também servimos aos barrigas verdes e gaúchos que de uma forma ou outra se relacionam com a Espanha, principalmente por motivos comerciais e culturais.

Com efeito, os consulados também têm e sempre tiveram desde as suas origens a tarefa de fomentar as relações econômicas, comerciais, culturais e científicas e promover as relações amistosas entre sua jurisdição consular e o país que o envia. De fato, pode-se dizer que a primeira funçãoão dos consulados foi a proteção dos comerciantes no exterior. Portanto, devo avaliar a importância do Caminho para promover as relações econômicas, culturais e de amizade entre os espanhóis de um lado, e os gaúchos e catarinenses de outro.

Estou ciente de que o Caminho de Santiago é essencialmente uma peregrinação penitencial católica, a mais importante peregrinação histórica da Igreja Católica depois das peregrinações a Roma e a Jerusalém, a única com um roteiro histórico definido. Portanto, é uma realidade que se refere ao âmbito das igrejas não ao âmbito das instituições públicas. Essa essência religiosa se projeta necessária e naturalmente em realidades econômicas, culturais e sociais. Por essa união necessária e natural o Caminho também deve se refletir nas atividades consulares.

Vejamos as realidades econômicas do Caminho.

Considera-se que a Espanha e a segunda potência turística do mundo depois dos Estados Unidos, combinando receita e visitantes. Além disso, é o primeiro destino de férias no mundo. Por sua vez, como disse, o Caminho é a terceira peregrinação histórica católica mais importante do mundo,

De acordo com os dados da Igreja, em 2015 foram em peregrinação a Santiago mais de 262 mil pessoas; são números muito altos, somente cerca de 10 mil pessoas a menos que no Ano Santo de 2010. Então, em 2015 visitaram a Espanha mais de 68 milhões de pessoas. Isso significa que os peregrinos credenciados para Santiago foram 0,38% dos turistas que visitaram a Espanha; por sua vez, a proporção de brasileiros é baixa, ainda que esteja aumentando: 1,23% dos peregrinos credenciados em 2005; 0,78% em 2010 e 1,50% em 2015. Além disso, o que acontece é que a populaçãoão estimada do Brasil se aproxima dos 206 milhões de habitantes e a do mundo é de mais de 7 bilhões, ou seja, o Brasil acolhe quase 3% da populaçãoão mundial.

Portanto, em razão dos peregrinos credenciados, há um espaço de melhora muito grande para aumentar a proporção de brasileiros no Caminho. O aumento dos últimos anos é muito encorajador e é dever do consulado contribuir na sua jurisdiçãoão para que a proporção de brasileiros no Caminho atinja a altura da proporção de brasileiros no mundo e o nível da Espanha no turismo mundial.

Vejamos agora os valores relativos às despesas dos peregrinos no Caminho.

Segundo a Federação Espanhola de Amigos do Caminho de Santiago em 2014 um peregrino gastava cerca de 38 euros por dia e somente chegava a 100 caso se hospedasse em hotéis; são valores parecidos com os da Câmara de Comércio de León: entre 20 e 30 euros em albergues e entre 100 e 150 em hotéis. Por outro lado, em 2015 os turistas gastaram na Espanha mais de 67 bilhões de euros e, conforme dados provisórios o gasto médio diário de um turista na Espanha é de cerca de 100 euros ou mais. Isso significa que o impacto econômico do Caminho no contexto da indústria turística espanhola não é muito grande.

Assim me parece que devemos respeitar a natureza própria do peregrino, austera e pouco gastadora. O prazer e o aproveitamento de uma viagem não estão em proporção direta ao dinheiro gasto. Isto o sabe melhor que ninguém o próprio apóstolo Santiago e vocês, seus peregrinos. “Teu dinheiro não resolve nada” dizem os Antonios[1]. Isto é particularmente certo em um país como a Espanha, que em 2015 foi declarada pelo Foro Mundial de Davos como o país mais competitivo do mundo para viagens e turismo, que teve uma inflação de 1,7%, e que este ano está baixando os preços, a pesar de estar crescendo mais do 2%, o maior crescimento da zona euro.

Do ponto de vista cultural a importância do Caminho adquire uma dimensão mais completa.

A Espanha é, depois da Itália, o segundo país do mundo com mais Patrimônio Cultural da Humanidade declarado pela Unesco com 44 lugares. Os peregrinos de Santiago podem apreciar uma elevada porcentagem desse Patrimônio: o próprio Caminho Francês e as rotas do Norte; o centro antigo de Santiago; a catedral de Burgos, os monumentos de Oviedo e as muralhas romanas de Lugo; também é possível se desviar ao sítio arqueológico de Atapuerca ou às cavernas pré-históricas de Altamira.

Além disso, há os inumeráveis bens culturais protegidos pelas instituições públicas que os peregrinos podem encontrar pelo Caminho. Vocês não poderão disfrutar da exuberante vegetação brasileira, das suas araucárias, das suas figueiras mas poderão desfrutar de numerosos parques protegidos, monumentos naturais e espaços da Rede Natura 2.000 da União Européia. Percorrer o Caminho é conhecer uma parte importante do patrimônio cultural e natural espanhol. Uma razão mais para incentivar o Caminho. O caminho contribui para que se conheça muito da Espanha em pouco tempo e o peregrino compra uma coisa, o próprio Caminho, e leva de volta na mochila outras 100 grátis.

Do ponto de vista das relações de amizade entre os povos, a importância do Caminho é de máximo interesse qualitativo.

Durante os dias do Caminho os peregrinos brasileiros e os anfitriões espanhóis estão em constante e contínuo contato em várias situações que servem para se conhecerem muito melhor. Isso acontece tanto pelo lado bom quanto pelo lado ruim: o chapéu do peregrino roubado, as tendinites, os temores de um assalto no campo, a sopa quente oferecida, a conversa mantida, as brigas, os cães de Foncebadón, as noites mal dormidas nos albergues, as roupas molhadas, os amanheceres frios, o horizonte infinito. A opinião mútua que se constrói será, possivelmente, de que os brasileiros lembrem, pelo resto da vida, da Espanha e dos espanhóis e estes lembrem do Brasil e dos brasileiros. Os testemunhos a este respeito são tão numerosos e tão intensos, que eu não vou me debruçar sobre eles agora, mas com certeza é o aspecto do Caminho que o Senhor Santiago mais gosta.

 

Amigos:

A união dos aspectos econômicos, culturais e sociais, explica porquê o Caminho serve para conhecer a história não somente da Espanha mas também da Europa. As rotas físicas, os edifícios, as tradições, a gastronomia, as pinturas, os livros do e sobre o Caminho desdobram diante de nós a história de toda a Europa há quase 1.200 anos.

Quando o Conselho da Europa proclamou o Caminho Francês a primeira rota cultural europeia reconheceu expressamente o papel “vital” desempenhado pelo Caminho para construir a identidade europeia. “Europa inteira encontrou-se a si mesma à volta da “memória” de São Tiago. Por isso mesmo Goethe insinuará que a consciência da Europa nasceu peregrinando…A peregrinação a Santiago foi um dos importantes elementos que favoreceram a compreensão mútua dos povos europeus tão diferentes, como os latinos, os alemães, os celtas, os anglo-saxões e os eslavos”[2].

Miguel de Cervantes-precisamente hoje comemoramos o 400 aniversario da sua morte- dizia que aquele que anda muito, vê muito e sabe muito[3]. Esse é o caso dos peregrinos. Por isso, eles podem entender perfeitamente a identidade espanhola; podem compreender que a Espanha não é só uma das 5 nações que deram origem a Europa, junto com Bretanha, Gália, Germânia e Itália. Também se pode compreender que a Espanha sempre foi e continua sendo um instrumento e um elemento constitutivo fundamental da identidade europeia.

É óbvio que todas estas razões culturais justificam que um consulado espanhol incentive o Caminho de Santiago e isto tem sido feito durante muitos anos trabalhando com muitos de vocês.

Para citar apenas os últimos dois anos muitos dos amigos aqui presentes sabem das dezenas de tertúlias coorganizadas com vocês, das reportagens que apareceram na mídia, e do apoio aos livros publicados. Por último, mas não menos importante o que fizemos foi criar na página WEB do consulado uma seção específica dedicada ao Caminho de Santiago. Somos o único consulado do mundo que fez isso.

Reconheço que a promoção do Caminho é trabalho ameno e que surgiu naturalmente graças a grande demanda pelo Caminho que existe em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Sem querer diminuir a importância dos outros estados, não é de admirar que muitos me digam que os estados da Região Sul, ou, pelo menos os dois estados mencionados, são os “estados brasileiros do Caminho”. Basta conhecer as atividades da Acacsc ou da Acasargs; basta contar as dezenas de livros sobre o Caminho publicados por catarinenses e riograndenses desde Sergio Reis e José Carlos Almeida. Só para citar os últimos livros: que esplêndida variedade de experiências oferece o Olhar Peregrino da Acacsc; que exemplar luta contra a dor nos relata Tatiana de Rihan; que esplêndidas fotografias nos dá Andrea Prestes. Lembremos Santiago do Mato Perso onde a Elacy e Gilberto já levam mais de 10 anos organizando peregrinações ao lugar. Lembremos também que em Santo Antonio da Patrulha se encontra a única trilha campestre brasileira que leva o nome do Caminho. Pensemos que o Brasil inteiro conhece o Caminho da Ilha em Florianópolis. O forte componente étnico europeu da Região Sul e o fato de que a cultura gaúcha seja a única cultura regional brasileira com componente hispânico essencial explicam em boa parte este interesse pelo Caminho.

O Caminho contribuiu e contribui para unir os espanhóis entre si e a Espanha com a Europa. Faz anos que obviamente também está contribuindo para unir a Espanha com o Brasil. Este é mais um exemplo de que o papel da Espanha como ponte entre Europa e América continua na atualidade; que não se esgotou com o Descobrimento na sexta feira, 12 de outubro de 1492 e que não terminou com a independência dos países americanos.

 

Caros amigos:

Ainda mais importante do que um consulado pode fazer pelo Caminho é o que o Caminho pode ensinar a um funcionário consular e como pode inspirar a ação  consular.

Vitor Thibes faz uma síntese muito interessante e útil do que o Caminho pode ensinar: “tomar urgentes decisões…fazer escolhas…arriscar; lidar com as frustrações…respeito aos limites…individuais e dos outros…comunicação clara e objetiva…se livrar daquilo que é supérfluo…lidar com as diferenças…lidar com as perdas…espontaneidade…humildade”[4]. No entanto, agora eu quero mostrar umas lições mais específicas revendo algumas das características gerais do Caminho.

A sua durabilidade. Desde que o eremita Pelayo e o bispo Teodomiro descobriram o sepulcro do Senhor Santiago no ano 812 ocorreram na Espanha e na Europa todo tipo de regimes políticos, de líderes, de circunstâncias econômicas, sociais, culturais e políticas. No entanto, o Caminho permaneceu; com os seus altos e baixos, mas permaneceu. E isso é o que tem que acontecer com a ação consular: permanecer no serviço administrativo dos cidadãos seja qual for o contexto. É o que se chama uma “política de Estado”.

A universalidade. O Caminho é uma escola de universalidade sem confins[5]. O Senhor Santiago chamou e continua chamando às pessoas de todas as nações, crenças, ideologias, cada qual com uma razão única e pessoal: Secretum mehum, mihi. Somente em 2015, dos 193 países que formam as Nações Unidas, abraçaram o Apóstolo peregrinos de 177, além da Espanha. Da mesma forma um escritório consular deve ser capaz de atuar em qualquer país e em qualquer parte de um país; um consulado deve ser capaz de ajudar os nacionais em qualquer parte do mundo em que se encontrem, por mais longe e inacessível que seja.

Isso concerne especialmente a Espanha. Espanha é um país de vocaçãoão e presença universal, sempre aberto ao mundo. Sua festa nacional é um acontecimento internacional: o descobrimento da América. O povo espanhol é uma mistura de povos muito diferentes, formados ao longo dos séculos pela civilização greco-romana e judaica e pelo Cristianismo; em seus antigos domínios o sol nunca se punha; inclusive, o primeiro rei comum da Espanha e Brasil, Felipe II, dizia que o mundo não lhe era suficiente; seu lema era: “Non sufficit Orbis”. Hoje, a Espanha tem mais de 2 milhões dos seus nacionais residindo nos 5 continentes e mais de 10% da sua população é estrangeira; além disso, pertence ao maior grupo comercial e de Cooperação Internacional do mundo, que é a União Europeia. A sua língua, o espanhol, e a segunda língua internacional do mundo, depois do inglês, e a segunda língua materna do mundo, depois do chinês-mandarim.

O apóstolo Santiago acreditou que havia cumprido o mandato de Jesuscristo de anunciar o Evangelho a todos os povos quando chegou a “finis terrae” seguindo a Via Láctea. Na realidade, o que fez foi levantar na Galícia um farol cujas luzes orientam as pessoas de todo o globo. Como disse Sérgio Reis, “o Caminho de Santiago, em verdade, é marcado na terra e no céu”[6]. As luzes do Campo das Estrelas orientam não somente para ir a Santiago, mas também para cruzar todos os mares e todos os céus partindo desde Santiago.

Outra grande característica do Caminho é a solidariedade entre as pessoas e entre as pessoas e as coisas. Os amigos de Santiago são amigos entre si e bons filhos da Mâe Terra, a nossa casa común.

São inumeráveis os testemunhos da ajuda mútua que se prestam entre si os peregrinos, da ajuda que lhes prestam as pessoas com quem se encontram ou que lhes hospedam, do respeito ao patrimônio e à Natureza, da limpeza das coisas e pessoas, incluindo os peregrinos… depois de passar pelo chuveiro… O Caminho é um contínuo diálogo conosco, com o nosso espírito e com o nosso corpo cansado e dolorido; é uma interação contínua com os outros, com os animais, com a Natureza. Os distintos idiomas não são obstáculo. Todos vocês se entendem na língua do Apóstolo: a língua da irmandade universal. O Caminho de Santiago é o oposto da Torre de Babel.

Toda esta unidade de pessoas, coisas, Natureza, História, lembra-nos que todos os seres do universo estamos unidos por laços e energias invisíveis e que formamos um uma comunhão e família universal. Tudo está relacionado, e todos nós, seres humanos, caminhamos juntos como irmãos e irmãs numa peregrinação maravilhosa [7], até a tumba do Apóstolo em Compostela e além dela.

Da mesma forma as autoridades consulares e as autoridades locais compartilhamos interesses e vocação do serviço público dentro de uma única Comunidade Internacional. O fato do Brasil e da Espanha pertencerem a Comunidade Iberoamericana de Nações, fundada em 1992, nos faz viver ainda mais estreitamente essa unidade universal. Por isso todos cooperamos estreitamente para ajudar os cidadãos necessitados acima da diversidade de línguas, das diferenças dos sistemas administrativos, ou dos naturais conflitos de leis. Posso dizer com muita gratidão e orgulho que os cidadãos espanhóis e brasileiros se beneficiam constantemente dessa união e dessa cooperação administrativa.

Queridos peregrinos de todo o Brasil:

Espero poder fazer algum dia o Caminho de Santiago, como fez José Dilamar  “com o coração e com a alma” [8]; espero me esforçar, como Magnus Casara, até onde os pés aguentem[9]. Espero que os pés aguentem durante todo o Caminho; espero poder atravessar o Pórtico da Glória e chegar ao porto seguro do abraço do Senhor Santiago[10].

Como esse dia pode demorar, permitam-me que agora mesmo diga ao Apóstolo algo do que quero lhe dizer quando o abrace bem forte na sua catedral:

-Santiago, bravo filho do Trovão, que te atreveste a chegar até o fim do mundo: ensina-nos a comparecer sempre aonde um concidadão necessite da nossa assistência e do nosso apoio, não porque é o fim do mundo, mas porque todo cidadão é único, para ti e para a Pátria.

-Santiago, patrão da Espanha, ajuda-nos a ter a responsabilidade do sentido de Estado e de serviço ao bem comum. Ajuda-nos, como te disse Dom Juan Carlos I em 1982 “a ser generosos na vitória, invencíveis na derrota, firmes em nosso amor, solidários com todos na paz”.

-Santiago, irmão do apóstolo João e de todos aqueles que acreditamos na fraternidade universal e na igualdade do gênero humano: ajuda-nos a derrubar os muros que existem entre os povos, a unirmos acima de qualquer diferença, a descobrir a origem e destino comum da Humanidade e do Universo. Ensina-nos a acrescentar e não a subtrair, a unir e não a separar, a que todos se entendam entre sí[11]·… inclusive entre nordestinos e gente do Sul, entre castelhanos e gaúchos, entre maragatos e pica paus, entre gremistas e colorados.

Muito obrigado.

 

[1] Pereira dos Santos, Antonio, y Almeida dos Santos, Antonio, Dois Antonios no Caminho de Santiago, WS Editor, Porto Alegre 2013, p. 171.

[2] San Juan Pablo II http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/speeches/1982/november/documents/hf_jp-ii_spe_19821109_atto-europeistico.html

[3] Dom Quixote de la Mancha, II, 25.

[4] Acacsc, Olhar peregrino.Caminho de Santiago, Nova Letra, Florianópolis, 2015, pp.199-202.

[5] Benedicto XVI, http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/speeches/2010/november/documents/hf_ben-xvi_spe_20101106_cattedrale-compostela.html

http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/speeches/2010/november/documents/hf_ben-xvi_spe_20101106_cattedrale-compostela.html

[6] Sergio Reis, O Caminho de Santiago, Artes e Oficios, Porto Alegre 1999, p. 13

[7] Francisco http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html, 89-92.

[8] José Dilamar Vieria da Luz, No Caminho, a presença do amigo, Evangraf, Porto Alegre, 2007, p. 11.

[9] Magnus Casara, Diario de um Magnus, Real Academia de Letras, Porto Alegre 2013, p.391.

[10] Joao Batista Sergnalia en Olhar peregrino.Caminho de Santiago, Nova Letra, Florianópolis, p.108.

[11] Don Felipe VI http://www.casareal.es/ES/Actividades/Paginas/actividades_discursos_detalle.aspx?data=5524