Escalaminhada ao Cambirela



Autor: Lígia Maria Knabben Becker

Domingo de outono, dia 13 de abril de 2008 não amanhecera risonho mas permaneceu ideal ,contrariando a previsão de chuva, para os 21 pretendentes à subida ao Cambirela, montanha situada no maciço do mesmo nome no município de Palhoça, vizinho da Grande Florianópolis.

Com altura superior a 1000 metros, o Pico do Cambirela é o ponto culminante do município e da região e está situado no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e domina toda a Baía Sul.

A promoção viera da Associação Catarinense dos Amigos do Caminho de Santiago de Compostela (ACACSC) que periodicamente organiza caminhadas e trilhas pelos cantos da Ilha e também fora dela.

Sob os cuidados do guia-filósofo-João (filho dos Malaguetas) os escalaminhantes subiram, subiram, subiram…e subiram. E chegaram até ao primeiro pico, aos 895 metros de altitude, na precisão malagueteana-pai. Foram cinco horas para subir incluindo as três paradas para descanso, e mais quatro para descer. Em alguns trechos mais próximos ao cume onde só vivem as gramíneas o uso de cordas se fez necessário porque são lugares onde não há o apoio para pés-mãos recebidos até então, de raízes e cipós das árvores que ofereceram seus braços em abraços solidários a maior parte do percurso. Bastante concentração nos passos e na escolha dos lugares onde buscar passagem em um ritmo mais lento propiciou olhares mais detalhados à paisagem: bromélias, begônias, minúsculas orquídeas e quaresmeiras em profusão de flores e cores, avencas, samambaias, araçazeiros, macela, carqueja, pedras enormes, cavernas, cursos de águas cristalinas, pássaros (poucos) e as magníficas árvores que dão vida àquele tesouro da Mata Atlântica.

Uma pedreira ao pé do monte agredia a paisagem, no entanto, os proprietários da lavra plantaram pinus e outras árvores que embora não sendo nativas, esconderam a cicatriz deixada pela exploração mineral.

O cheiro bom de mato se misturava ao som das falas alegres dos endorfinados escalaminhantes que ouviam os sábios dizeres joaninos de que o corpo suporta muito mais do que pensa a mente, que as dificuldades maiores dão maior gosto à conquista ou ainda, que é mais fácil de se atingir um objetivo quando se tem o foco de atenção nele.
Fi-nal-men-te a chegada! O cansaço. O vento gelado. O lanche comunitário. Olhos, corações e mentes modulando sentimentos e sensações!

A natureza mostrando alguns de seus filhos- o Rio Cubatão, a Ilha de Santa Catarina, os municípios de Palhoça, São José e o Oceano Atlântico.

Na beleza verde, fotografias e fotografias . Vontade de perpetuar o momento que escorria sob nossos olhares.