XIII Caminho da Ilha

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Florianópolis/SC de 22 a 29 de novembro de 2014

Na noite de 21 de novembro de 2014, na Sede da ACACSC, foi realizado o jantar de boas-vindas aos inscritos no 13ª Caminho da Ilha, num clima de grande excitação e expectativa.

Manhã cedo do dia seguinte, o abraço à Figueira da Praça XV, a oração, as fotos e o início da caminhada, cada grupo em direção a seu rumo. Quem foi para o Norte, percorreu a avenida Beira-Mar Norte, passando sob a ponte Hercílio Luz, o mais vistoso patrimônio de Florianópolis. Quem foi para o Sul foi agraciado por um lanche oferecido pelos associados Cenoer e Lucimar. Dali, o próximo descanso foi na bela praia da Base Aérea. Ambos os grupos percorreram trajetos urbanos até chegarem a seu destino: Praia da Daniela e Ribeirão da Ilha, respectivamente. Porém, nesse primeiro dia, tanto um grupo como outro pode apreciar a bela arquitetura açoriana das “freguesias” por onde passaram.

A partir do segundo dia de caminhada os trechos urbanos são substituídos por praias. Foi quando o grupo Norte encarou a mais longa etapa: Daniela a Ingleses (31 Km), passando pela Praia do Forte, forte de São José da Ponta Grossa, Praia de Jurerê, Praia de Canasvieiras, Praia da Cachoeira do Bom Jesus, Praia Ponta das Canas, Praia da Lagoinha, Praia Brava e Praia dos Ingleses, onde jantou e pernoitou. Estas praias são as que mais atraem moradores e turistas e têm, cada uma, seu próprio estilo. O grupo Sul, neste dia, viu-se frente ao primeiro grande desafio: vencer as montanhas que abrigam a praia de Naufragados. Saindo da Caieira da Barra do Sul, o grupo iniciou a penosa subida. Contudo, a visita aos canhões do início do século XX e a vista do mirante do Farol foram recompensa suficiente, mas não única, pela empreitada. Na bela e parcamente povoada praia de Naufragados, o grupo descansou e almoçou, preparando-se para a segunda parte da caminhada: a subida da outra montanha, vencida com disposição e suor. Nova descida até a pequena Praia do Saquinho e nova subida, esta calçada, e, finalmente, a descida final até a Praia da Solidão, a meta do dia.

Ao grupo Norte estava reservada a segunda maior etapa: Ingleses à Barra da Lagoa (29 Km). Vencida a Praia de Ingleses, o grupo passou entre dunas em busca da Praia do Santinho, conhecida por suas pinturas rupestres. Então a topografia mudou: é necessário vencer o Morro das Aranhas para chegar à Praia do Moçambique, onde os caminhantes foram recepcionados pelo grupo de apoio com um bem-vindo lanche à base de frutas, sucos, água e sanduíches. Nossos agradecimentos aos associados Artêmio, Lígia e Rosana. Recompostos, seguiram até a Barra da Lagoa. Enquanto isso o grupo Sul iniciou o terceiro dia andando pela Praia do Pântano do Sul, pronto para encarar seu segundo grande desafio: subir montanhas por trilhas íngremes, entre as quais está a mais selvagem das praias da Ilha: a Lagoinha do Leste. Lá, numa clareira na mata, foi o ponto de descanso e lanche. Não menos íngreme foi a subida da montanha oposta, que, de um ponto privilegiado, permitiu a visão ampla de belas paisagens. Horas depois o grupo chegava à pequena Praia do Matadeiro e ao final da etapa: Armação.

Este foi um dia de expectativas: os dois grupos iriam encontrar-se na Praia do Campeche. Comecemos pelo grupo Norte, que deixou a Barra da Lagoa por uma trilha ascendente e difícil. No topo da montanha, um espetáculo: a visão da Praia da Barra da Lagoa, do rio da Barra e da Lagoa da Conceição de um lado e, do outro lado, as praias da Galheta e Mole. Descendo a montanha e passadas essas duas praias, andaram por um curto trecho ao longo da rodovia, até chegar à trilha que leva à pequena Praia do Gravatá; o outro lado da montanha leva à Praia da Joaquina, cuja continuação é a Praia do Campeche. O grupo Sul fez uma caminhada fácil, quase um passeio: saindo da Armação logo estava na trilha que circunda a Lagoa do Peri, de águas limpas e tranquilas. Uma visita ao mirante da Casa de Retiro do Morro das Pedras permitiu ver as Praias da Armação e do Campeche em grande parte de sua extensão. Ainda cedo na tarde chuvosa, o grupo chegou ao hotel. Ao anoitecer a vice-presidente da ACACSC – Lígia – fez um exercício de sensibilização e integração com ambos os grupos, seguindo-se o jantar.

E agora que os grupos se encontraram, como descrever o que ocorreu nos quatro dias seguintes? Vamos combinar o seguinte: o leitor vai dar marcha ré e ler os parágrafos de trás para diante, trocando o nome dos grupos. OK?

É claro, falta o encontro na Sede, no dia 29 de novembro!

Bem, os grupos chegaram quase que ao mesmo tempo em que o almoço ficou pronto. Almoçar, pois, foi a ordem, prazerosamente obedecida. Agradecemos aos cozinheiros Ferreira e Donato e aos auxiliares Leônidas (Léo), Lígia, Terezinha e Eusa.

Finalizando o evento, foram entregues os certificados aos participantes e brindes aos dois caminhantes escolhidos como Amigos do Caminho da Ilha por seus respectivos grupos. Seguiu-se uma descontraída brincadeira dos participantes do grupo Norte. Aos poucos, um a um, em duplas ou em pequenos grupos, as pessoas foram deixando a Sede, levando consigo a saudade dos amigos e do Caminho da Ilha.



UM CASO DE UM SUCESSO
Um evento que se repete pela 13ª vez pode ser considerado um sucesso. Sucesso que tem causa no primeiro evento, ocorrido em 2006, realizado por um grupo ainda pequeno de associados curiosos por conhecerem a Ilha de Santa Catarina e prepararem-se para o Caminho de Santiago de Compostela. Cada diretoria soube incrementar o Caminho da Ilha, dando-lhe a identidade atual. Muito bem organizado, a cada ano atrai mais e mais caminhantes, muitos deles de outros estados do país.
O aumento da procura levou a criar-se dois grupos, um iniciando pelo Norte e outro pelo Sul. Por alguns anos, a critério das diretorias, foram realizados dois eventos por ano, superando uma centena de participantes.
No jantar de recepção, cada um dos inscritos recebe camiseta com logotipo do Caminho da Ilha, folder ilustrado com a descrição das etapas, boné ou viseira, boton, credencial e relação das pousadas, acondicionadas em uma bolsa que também pode ser usada como mochila. Em cada final de etapa, os grupos são recepcionados em pousadas e hotéis contratados, assim como em restaurantes onde terão uma amostra da gastronomia local. Ademais, dois guias em cada grupo garantem a condução e a segurança dos caminhantes. Ao final, no almoço de encerramento, os participantes recebem um certificado escrito em “manezês”.
Ao longo das caminhadas, os grupos adquirem identidade própria baseada no convívio diário, compartindo suas experiências anteriores, sua surpresa com a beleza da Ilha, as manifestações de solidariedade e, claro, os copos de cerveja e vinho, ao cair da tarde e ao jantar.


Fotos: Leoni Junges


Fotos: Diogo Galline


Fotos: Anie Casagrande


Fotos: Catarina Maria Rüdiger